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Saída dos Emirados Árabes da OPEP Pode Redefinir Equilíbrio do Mercado Petrolífero Global

Resumo

A possível saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP poderá ser um ponto de viragem significativo no mercado petrolífero global, levantando questões sobre o futuro papel do cartel na fixação dos preços da energia. Se os Emirados saírem, poderão aumentar a produção sem seguir as quotas da OPEP, o que poderia levar a uma redução dos preços internacionais a longo prazo. Com uma capacidade de produção superior às restrições da OPEP, os Emirados poderiam colocar no mercado entre 1% e 2% da procura global diária de petróleo. Apesar disso, os constrangimentos no Estreito de Ormuz continuam a afetar os preços, mantendo o Brent acima dos 117 dólares por barril e o WTI em cerca de 105 dólares. A influência da OPEP tem vindo a diminuir ao longo dos anos, e a saída dos Emirados poderá alterar significativamente a dinâmica de preços no mercado petrolífero global.

A eventual saída dos United Arab Emirates da Organization of the Petroleum Exporting Countries poderá representar um dos mais relevantes pontos de inflexão recentes no mercado petrolífero internacional, levantando dúvidas sobre a capacidade futura do cartel de continuar a influenciar de forma decisiva os preços globais da energia.

A análise é avançada pela CNN, segundo a qual a retirada dos Emirados Árabes Unidos — actualmente o terceiro maior produtor de crude da OPEP, atrás apenas da Arábia Saudita e do Iraque — poderá fragilizar ainda mais a coesão interna da organização.

A concretizar-se, a saída permitirá aos Emirados aumentar substancialmente a produção petrolífera sem ficar sujeito às quotas impostas pelo grupo, cenário que poderá contribuir para maior oferta global de crude e eventual redução dos preços internacionais no médio e longo prazo.

Produção Potencial dos Emirados Supera Limites da OPEP

Segundo a CNN, a OPEP limitava recentemente a produção dos Emirados Árabes Unidos a cerca de 3,2 milhões de barris por dia, apesar de o país possuir capacidade instalada próxima dos 5 milhões de barris diários.

A possibilidade de colocar no mercado volumes adicionais poderá representar entre 1% e 2% da procura mundial diária de petróleo, reforçando a concorrência entre produtores e pressionando os preços internacionais.

David Oxley, economista-chefe de clima e commodities da Capital Economics, citado pela CNN, afirmou que os Emirados têm demonstrado há vários anos interesse em expandir livremente a produção, após investimentos significativos na sua infra-estrutura petrolífera.

O potencial aumento de produção ocorre numa altura particularmente sensível para os mercados energéticos globais, marcados por elevada volatilidade geopolítica e constrangimentos severos no Estreito de Ormuz.

Estreito de Ormuz Continua a Condicionar Preços

Apesar das expectativas de aumento futuro da oferta, analistas consideram que o impacto imediato da saída dos Emirados sobre os preços do petróleo será limitado enquanto persistirem restrições significativas no Estreito de Ormuz.

Segundo a CNN, os constrangimentos na rota marítima continuam a retirar entre 10 e 12 milhões de barris diários do mercado global, mantendo os preços internacionais em níveis elevados.

O Brent continua a negociar acima dos 117 dólares por barril, enquanto o WTI permanece em torno dos 105 dólares, sustentados pelas tensões militares no Médio Oriente e pelos receios relacionados com a segurança energética internacional.

Os analistas admitem, contudo, que uma eventual reabertura plena do Estreito de Ormuz, combinada com maior produção dos Emirados e eventual fragmentação adicional da OPEP, poderá alterar significativamente a dinâmica de preços no mercado petrolífero global.

Influência da OPEP Já Não é a Mesma

A CNN observa que a influência da OPEP sobre o mercado internacional já vinha registando erosão gradual nas últimas décadas.

Criada em 1960 por Arábia Saudita, Irão, Iraque, Kuwait e Venezuela, a organização chegou a contar com 16 membros, mas vários países abandonaram o grupo nos últimos anos, incluindo Equador, Indonésia, Qatar e Angola.

Além disso, factores como o crescimento da produção norte-americana, a electrificação da economia global, ganhos de eficiência energética e o aumento do peso das energias renováveis reduziram parcialmente a dependência mundial do petróleo.

Para compensar esta perda de influência, a organização expandiu-se em 2016 para a estrutura conhecida como OPEP+, incorporando produtores como a Rússia. Actualmente, o grupo representa cerca de 42% da produção mundial de crude.

Ainda assim, vários analistas consideram que o actual contexto aponta para uma organização menos coesa e potencialmente menos capaz de disciplinar a oferta global.

Mercado Pode Entrar em Nova Fase de Competição

A análise da CNN admite igualmente que a saída dos Emirados poderá desencadear uma nova fase de disputa por quota de mercado entre grandes produtores do Golfo, sobretudo após eventual estabilização do conflito envolvendo o Irão.

Michael Tamvakis, professor de commodities da Bayes Business School, afirmou que os Emirados poderão procurar aumentar rapidamente a produção assim que o Estreito de Ormuz voltar a operar normalmente, aproveitando a necessidade global de recomposição dos níveis de abastecimento.

O especialista considera ainda que a decisão poderá reflectir uma estratégia dos Emirados para assegurar uma fatia maior do mercado petrolífero global num momento em que vários países procuram garantir segurança energética.

Economistas da Capital Economics defendem igualmente que uma OPEP mais fragmentada e menos disciplinada poderá reduzir a capacidade do grupo de sustentar preços elevados no longo prazo.

Antes da actual crise geopolítica, o mercado já enfrentava sinais de excesso de oferta, impulsionados pelo aumento da produção nas Américas e pela desaceleração relativa da procura global. A Agência Internacional de Energia havia advertido anteriormente que o excedente poderia enfraquecer significativamente o controlo da OPEP sobre o mercado petrolífero mundial.

Fonte: O Económico

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