Resumo
O World Bank lançou o Atlas of Global Development 2026, uma plataforma interativa que analisa tendências globais com mais de 121 mil pontos de dados, 107 bases estatísticas e 95 visualizações imersivas, mapeando o desenvolvimento mundial nos últimos 75 anos. O relatório destaca o progresso global mais lento em 15 dos 26 indicadores de desenvolvimento, devido a choques geopolíticos, crises climáticas, desigualdades tecnológicas e pressões demográficas. A persistência da pobreza extrema, especialmente na África Subsaariana, a desigualdade de género no mercado de trabalho e os desafios climáticos e energéticos são realçados. Metade da população global vive em contextos vulneráveis ao clima, enquanto milhões ainda não têm acesso à água potável ou eletricidade, evidenciando disparidades significativas a nível global.
Mais do que um relatório estatístico convencional, a nova edição do Atlas procura oferecer uma leitura integrada sobre os ritmos de progresso, desaceleração e retrocesso em diferentes regiões do mundo, cobrindo áreas como pobreza, desigualdade, clima, energia, urbanização, educação, inteligência artificial e transformação digital.
O diagnóstico central apresentado pelo Banco Mundial é particularmente expressivo: o progresso global encontra-se actualmente no ritmo mais lento já registado em 15 dos 26 indicadores de desenvolvimento analisados.
A instituição alerta que, após décadas de avanços significativos em redução da pobreza e expansão de serviços essenciais, o mundo enfrenta uma combinação complexa de choques geopolíticos, crises climáticas, fragmentação económica, pressões demográficas e desigualdades tecnológicas que estão a comprometer a velocidade do desenvolvimento global.
Segundo o Atlas, uma das principais preocupações continua a ser a persistência da pobreza extrema. O Banco Mundial refere que grande parte da população mundial extremamente pobre vive actualmente em países onde a pobreza aumentou nos últimos dez anos.
O relatório destaca igualmente a situação da África Subsaariana, cuja “lacuna de prosperidade” permanece equivalente à média mundial observada nos anos 1980, colocando a região cerca de quatro décadas atrás do padrão global actual de desenvolvimento económico.
A desigualdade de género no mercado de trabalho constitui outro dos temas centrais da publicação. Segundo os dados apresentados, apenas uma em cada duas mulheres participa actualmente em actividades geradoras de rendimento à escala global.
O Banco Mundial sublinha que mulheres continuam mais expostas a empregos vulneráveis, salários inferiores e sobrecarga de responsabilidades de cuidado, factores que limitam ganhos de produtividade e inclusão económica.
No domínio climático, o Atlas alerta para o agravamento da exposição global a fenómenos extremos, defendendo que mais de metade da população mundial vive em contextos simultaneamente vulneráveis e necessitados de adaptação climática.
A qualidade da água emerge igualmente como um desafio crítico. Cerca de metade dos países com dados disponíveis enfrentam problemas relacionados com qualidade da água potável, enquanto mais de dois mil milhões de pessoas continuam sem acesso seguro à água.
O relatório evidencia ainda a persistência das assimetrias energéticas globais. Apesar da expansão mundial do acesso à electricidade nas últimas duas décadas, milhões de pessoas na África Subsaariana continuam sem acesso à energia eléctrica.
A urbanização acelerada constitui outra tendência estrutural destacada pelo Banco Mundial. O Atlas sustenta que cidades continuarão a assumir um papel central no crescimento económico global, mas alerta que a ausência de planeamento urbano estratégico poderá aprofundar desigualdades, exclusão e fragilidades infra-estruturais.
Um dos aspectos mais sensíveis do relatório prende-se com a crescente desigualdade digital associada à inteligência artificial.
Segundo o Banco Mundial, apenas 5% da população em países de baixo rendimento possui actualmente competências digitais suficientes para utilizar ferramentas de IA.
A instituição alerta que o avanço acelerado da inteligência artificial poderá aprofundar ainda mais as disparidades globais caso países de baixo rendimento permaneçam excluídos das infra-estruturas digitais, conectividade e capacitação tecnológica necessárias.
“O Atlas não é um relatório. É uma lente”, refere o documento, defendendo que os dados devem ser utilizados para transformar incerteza em decisões capazes de melhorar a vida das pessoas.
O Banco Mundial reconhece igualmente que muitas economias continuam a tomar decisões de política pública com base em dados desactualizados, o que limita a eficácia de regulamentos, planeamento orçamental e formulação de políticas de desenvolvimento.
Paralelamente ao lançamento do Atlas, especialistas da instituição analisaram temas emergentes como os riscos de privacidade associados à utilização de inteligência artificial por bancos centrais, os impactos económicos da guerra no Médio Oriente sobre os mercados de commodities e a necessidade de reformas legais e regulatórias para atrair investimento e gerar emprego.
No seu conjunto, o Atlas of Global Development 2026 oferece uma leitura abrangente sobre a crescente fragmentação do desenvolvimento global num momento marcado por desaceleração económica, tensões geopolíticas, transformação tecnológica acelerada e desafios climáticos cada vez mais estruturais.
Fonte: O Económico





