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Grupo Italiano Renco Consolida Presença Em Moçambique Com Investimentos Estratégicos Superiores A 176 Milhões De Dólares

Resumo

O grupo italiano Renco tornou-se um dos principais investidores estrangeiros em Moçambique, com investimentos superiores a 176 milhões de dólares desde 2012, focando-se em setores estratégicos como energia, logística e construção civil. Com cerca de 2.000 trabalhadores, a empresa destaca-se como um dos maiores empregadores privados em Cabo Delgado, com uma abordagem baseada na integração comunitária e diálogo social para garantir a estabilidade das operações. O investimento na província inclui a Central Solar de Mecufi, um projeto de energia renovável de 34 milhões de dólares em parceria com investidores moçambicanos e a EDM, prevendo-se a sua conclusão em dezembro de 2026, com capacidade inicial de 26 MW e potencial expansão para 90 MW no futuro.

O grupo italiano Renco consolidou-se como um dos principais investidores privados estrangeiros em Moçambique, acumulando investimentos superiores a 176 milhões de dólares desde o início das suas operações no país, em 2012, com presença crescente em sectores considerados estratégicos para a transformação económica nacional.

As informações foram avançadas pelo Director da empresa em Moçambique, Pier Evangelista, em declarações prestadas à Agência de Informação de Moçambique (AIM), nas quais destacou a expansão das operações da companhia nas áreas de energia, logística, construção civil, infra-estruturas urbanas e desenvolvimento regional.

Actualmente, a empresa emprega cerca de 2.000 trabalhadores, dos quais aproximadamente 1.700 se encontram colocados na província de Cabo Delgado, posicionando-se entre os maiores empregadores privados associados ao desenvolvimento económico do norte do país.

“Durante estes 14 anos de operação crescemos exponencialmente. Neste momento trabalhamos em todo o país, mas principalmente em Cabo Delgado”, afirmou Pier Evangelista.

O responsável destacou igualmente a abordagem da empresa baseada em integração comunitária e diálogo social como um dos factores de estabilidade das suas operações numa província historicamente marcada por desafios sociais, humanitários e de segurança.

“Nunca tivemos um conflito com a população. Isto deve-se à nossa capacidade de diálogo, de explicar e depois fazer aquilo que prometemos em termos de investimentos”, declarou.

A aposta da empresa em Cabo Delgado surge num momento em que a província continua a assumir crescente centralidade geoeconómica para Moçambique, particularmente devido ao desenvolvimento da indústria de gás natural liquefeito (LNG), expansão logística e necessidade de reconstrução económica regional.

Entre os principais investimentos em curso destaca-se a Central Solar de Mecufi, considerada um dos mais relevantes projectos privados de energia renovável actualmente em implementação no norte do país.

Avaliado em cerca de 34 milhões de dólares, o projecto está a ser desenvolvido em parceria com investidores privados moçambicanos e a Electricidade de Moçambique (EDM), prevendo-se a sua entrada em operação em Dezembro de 2026.

Segundo Pier Evangelista, a central deverá injectar cerca de 20 megawatts de energia limpa na rede nacional, reforçando a segurança energética da região norte.

“É um projecto que esperamos concluir até Dezembro de 2026, colocando cerca de 20 megawatts na rede nacional”, afirmou.

Informações adicionais disponíveis no website institucional da Renco indicam, contudo, que o projecto foi concebido numa lógica de expansão faseada, podendo atingir futuramente uma capacidade global próxima de 90 megawatts, embora a primeira fase actualmente em implementação esteja centrada numa capacidade instalada inicial estimada em 26 MW.

A empresa refere igualmente que o projecto está estruturado através de modelo de project finance, incluindo concessão de utilização de terra por 25 anos e estudos técnicos e ambientais já aprovados.

A construção da central já mobiliza cerca de 130 trabalhadores directos na região de Mecufi, contribuindo igualmente para formação técnica especializada numa província considerada estratégica para o futuro energético do país.

Contudo, é no domínio logístico e portuário que a Renco procura consolidar uma das suas mais ambiciosas apostas estruturantes em Moçambique: o Pemba Bulk Terminal (PBT).

Com investimento privado actualmente estimado em cerca de 79,5 milhões de dólares, o terminal entrou em operação em 2020, após o início das obras em 2019, assumindo-se como uma infra-estrutura estratégica de apoio à indústria de gás natural em Cabo Delgado.

Segundo a própria empresa, o projecto vai muito além de um terminal portuário convencional, tendo sido concebido como uma plataforma integrada composta por porto marítimo, hub logístico e base industrial dedicada à indústria energética.

Informações institucionais da empresa referem que o empreendimento pretende criar “uma área industrial única pela sua dimensão e funcionalidades” naquela faixa da costa africana.

“Actualmente não existem infra-estruturas com as características específicas do Pemba Bulk Terminal naquela parte da África Oriental. Nenhum porto possui características semelhantes em termos de facilidade de acesso, profundidade marítima e extensão para o mar, além de uma vasta área logística e industrial dedicada ao gás”, afirma Bruno Ghirelli, Country Strategy Manager da empresa.

O projecto contempla uma infra-estrutura portuária ligada à rede rodoviária nacional através de uma estrada privada dedicada exclusivamente às operações industriais e logísticas, minimizando interferências com o tráfego urbano convencional.

Na primeira fase, o terminal inclui um cais com 300 metros de comprimento, complementado por um pontão flutuante com cerca de 120 metros de comprimento e até 32 metros de largura, capacidade de carga de aproximadamente 20 mil toneladas e profundidade operacional de 12 metros, permitindo a atracação de navios de grande dimensão destinados ao transporte de materiais e infra-estruturas offshore para Afungi.

Numa segunda fase, prevista para um período de 36 meses, o projecto deverá expandir-se através da construção de um segundo cais com dimensões estimadas em 300 por 200 metros.

A dimensão territorial do empreendimento evidencia igualmente a sua escala estratégica. Segundo a empresa, o porto certificado segundo normas ISPS ocupará aproximadamente 153 mil metros quadrados, enquanto a área logística e industrial associada ultrapassará um milhão de metros quadrados.

A Renco sustenta ainda que o projecto procura responder a uma lacuna estrutural histórica da região, particularmente no domínio de serviços especializados de apoio às operações offshore e à logística industrial do LNG.

“As actividades de operação e manutenção exigem monitoria e assistência multidisciplinar especializada. Este tipo de assistência, com o nível de qualidade requerido, actualmente não está disponível na região de Pemba”, refere a empresa.

Segundo informações da própria companhia, o investimento global previsto para o complexo logístico e industrial poderá atingir cerca de 227 milhões de dólares à medida que as diferentes fases forem sendo implementadas.

Paralelamente à energia e logística, a empresa encontra-se igualmente envolvida em projectos urbanos estruturantes na capital do país.

Em Maputo, a Renco lidera actualmente um dos principais projectos de drenagem urbana em curso nos bairros de Maxaquene e Polana Caniço, intervenção avaliada em aproximadamente 62,5 milhões de dólares e financiada através de linha concessionária do Governo italiano ao Estado moçambicano.

Segundo a empresa, o projecto deverá contribuir significativamente para mitigação de inundações, melhoria da mobilidade urbana e aumento da segurança habitacional em zonas historicamente vulneráveis.

“Estamos a construir infra-estruturas de drenagem para Maputo que irão mudar a vida das populações dessas áreas”, afirmou Pier Evangelista.

Apesar da expansão das actividades para províncias como Nampula e Manica, a empresa reafirma que o norte de Moçambique continuará a constituir o principal eixo estratégico dos seus investimentos futuros.

Entre as áreas identificadas para novas apostas estão agricultura, reconstrução de infra-estruturas, expansão portuária, logística e turismo em Cabo Delgado.

A empresa mantém igualmente planos para retoma do Mecufi Beach Resort, empreendimento turístico anteriormente afectado pela insegurança e pelos impactos ciclónicos na região.

“Turismo pode ser uma das soluções para a actual situação de turbulência em Cabo Delgado”, defendeu Pier Evangelista.

A empresa sublinha ainda que pretende manter uma abordagem de longo prazo em Moçambique. “A nossa intenção não é ter atitudes predatórias”, declarou o director da empresa.

O posicionamento da Renco reflecte a crescente relevância do investimento privado internacional na reconfiguração infra-estrutural, energética e logística do norte de Moçambique, particularmente num momento em que Cabo Delgado procura simultaneamente consolidar estabilidade, reconstrução económica e expansão da indústria de LNG.

Fonte: O Económico

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