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Mercados Asiáticos Recuam Com Inflação Elevada nos EUA e Tensões no Médio Oriente a Intensificarem Nervosismo Global

Resumo

Os mercados financeiros asiáticos abriram em baixa devido à inflação nos EUA, incertezas no Médio Oriente e receios sobre a política monetária. O índice MSCI Ásia-Pacífico caiu 0,6%, o Kospi sul-coreano recuou mais de 3% e o Nikkei 225 do Japão desceu 0,2%. A inflação nos EUA, acima do esperado em abril, levantou preocupações sobre taxas de juro mais altas. Os investidores agora antecipam uma subida das taxas de juro. Os preços do petróleo continuam elevados devido à incerteza geopolítica, com o Brent acima dos 107 dólares por barril. Os ataques no Médio Oriente e as tensões entre EUA e Irão mantêm os mercados sob pressão. Trump afirmou não precisar da mediação da China.

Os mercados financeiros asiáticos iniciaram a sessão desta terça-feira sob forte pressão, num contexto marcado pela combinação entre inflação persistentemente elevada nos Estados Unidos, incertezas geopolíticas no Médio Oriente e receios crescentes quanto ao endurecimento prolongado da política monetária norte-americana.

O índice MSCI Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, recuou cerca de 0,6%, prolongando perdas observadas na sessão anterior, enquanto o índice sul-coreano Kospi chegou a cair mais de 3% antes de reduzir parcialmente as perdas. O movimento surge após semanas de forte valorização impulsionada pelo entusiasmo em torno das empresas ligadas à inteligência artificial, num rally que vários analistas consideravam já excessivamente esticado.

No Japão, o Nikkei 225 registou uma queda mais moderada de 0,2%, ao passo que os futuros do S&P 500 norte-americano também permaneceram em território negativo, sinalizando prudência por parte dos investidores globais.

Inflação Norte-Americana Reacende Temores Sobre Política Monetária

O principal catalisador do sentimento negativo nos mercados foi a divulgação de dados da inflação dos Estados Unidos, que revelaram um aumento dos preços ao consumidor acima do esperado em Abril — o maior incremento em três anos. O dado reforçou as preocupações de que a Reserva Federal possa ser obrigada não apenas a manter as taxas de juro elevadas durante mais tempo, mas inclusive considerar novas subidas.

Tony Sycamore, analista de mercado da IG, citado pela Reuters, afirmou que “um relatório de inflação mais forte do que o esperado e as persistentes tensões geopolíticas recordaram aos investidores que os preços elevados e os custos energéticos continuam longe de desaparecer”.

Os mercados financeiros passaram rapidamente a rever as suas expectativas. Segundo o CME FedWatch Tool, as probabilidades de um corte de juros pela Reserva Federal em 2026 praticamente desapareceram, enquanto aumentou significativamente a expectativa de uma subida adicional de pelo menos 25 pontos base até Dezembro.

Este ambiente contribuiu para manter o rendimento das obrigações do Tesouro norte-americano a 10 anos próximo dos níveis mais elevados desde Julho do ano passado, em torno de 4,47%, reforçando a atractividade dos activos denominados em dólares.

Petróleo Continua Elevado e Médio Oriente Mantém Mercados Sob Pressão

Ao mesmo tempo, os preços internacionais do petróleo continuam a reflectir o elevado grau de incerteza geopolítica. Apesar de uma ligeira correcção, o Brent manteve-se acima dos 107 dólares por barril, prolongando um ciclo de valorização iniciado após os ataques envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão, bem como as perturbações relacionadas com o Estreito de Ormuz — um dos corredores energéticos mais estratégicos do mundo.

O impasse diplomático entre Washington e Teerão permanece igualmente sem sinais concretos de resolução. O Presidente norte-americano Donald Trump afirmou que não considera necessária a mediação da China para terminar o conflito com o Irão, poucos dias antes do seu encontro com o Presidente chinês Xi Jinping.

Phillip Wool, director de pesquisa da Rayliant Investment Research, observou que os mercados já não esperam avanços significativos nas relações sino-americanas, sublinhando que, neste momento, “o simples facto de Trump e Xi conseguirem manter uma relação funcional poderá já ser interpretado como um sucesso”.

Samsung Amplifica Pressão Sobre Mercado Sul-Coreano

Na Coreia do Sul, as acções da Samsung Electronics afundaram 5,7% depois de a empresa falhar um acordo salarial com o sindicato dos trabalhadores, abrindo caminho para uma greve envolvendo mais de 50 mil funcionários.

O potencial impacto sobre a produção de semicondutores e chips ligados à inteligência artificial aumentou os receios em torno da cadeia global tecnológica, numa altura em que o sector vinha sendo um dos principais motores das bolsas internacionais.

Dólar Forte, Ouro Resiliente e Criptomoedas Sob Pressão

O fortalecimento das expectativas de juros elevados nos EUA continuou igualmente a sustentar o dólar norte-americano. O índice do dólar manteve-se em alta pelo terceiro dia consecutivo, enquanto a moeda japonesa voltou a sofrer pressão, reacendendo especulações sobre possíveis intervenções das autoridades japonesas no mercado cambial.

O ouro registou ganhos ligeiros, beneficiando parcialmente da procura por activos de refúgio, ao passo que as criptomoedas permaneceram pressionadas, com o bitcoin e o ether a registarem pequenas quedas.

Fonte: O Económico

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