InícioEconomiaDesigualdade econômica prejudica bem-estar de crianças até nos países mais ricos

Desigualdade econômica prejudica bem-estar de crianças até nos países mais ricos

Resumo

O novo relatório do Unicef destaca que viver em países ricos não garante igualdade de felicidade, saúde e competências académicas para todas as crianças, devido à desigualdade económica. A análise em 44 países revela que a desigualdade de rendimentos está ligada a piores condições de saúde e resultados académicos mais fracos nas crianças. Em Portugal, a desigualdade de rendimentos coloca o país em 25.º lugar e a pobreza infantil em 18.º. A desigualdade impacta negativamente a aprendizagem, saúde e alimentação das crianças, com as que vivem em países mais desiguais a terem mais probabilidades de obesidade e de abandonar a escola sem competências básicas. O relatório apela a medidas para reduzir a pobreza infantil e promover o bem-estar das crianças, como reforçar as redes de proteção social e combater a segregação nas escolas.

Viver num país rico não garante que todas as crianças sejam igualmente felizes, saudáveis ou tenham o mesmo nível de competências académicas e sociais, afirma o novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. 

Intitulado “Boletim 20: Oportunidades Desiguais: Infância e Desigualdade Económica”, o relatório do Instituto Innocenti conclui que a desigualdade económica nos países ricos está associada a piores condições de saúde física e a resultados académicos mais fracos entre as crianças.

Pobreza infantil continua elevada

O boletim analisou a relação entre as desigualdades e o bem-estar das crianças em 44 países da Ocde e de elevado rendimento. Entre estes, os níveis de desigualdade de rendimento e de pobreza infantil continuam “persistentemente elevados”, segundo o Unicef. 

Em média, famílias pertencentes aos 20% com maiores rendimentos recebem mais de cinco vezes o rendimento dos 20% com menores rendimentos. 

Por sua vez, quase uma em cada cinco crianças vive em situação de pobreza monetária, “o que significa que as suas necessidades básicas podem não estar asseguradas”.

Entre as dezenas de países incluídos no relatório, Portugal ocupa a 25.ª posição em termos de desigualdade de rendimentos. Já no quesito pobreza infantil, aparece em 18.ª posição.

Um grupo diversificado de crianças sorridentes olha para a câmera de um ângulo baixo na Escola Primária Gartenstadt, em Colônia-Longerich.
© UNICEF/Annette Etge
Um grupo de crianças do ensino fundamental sorri para a câmera em Colônia, na Alemanha.

Impacto da desigualdade nas crianças

De acordo com o diretor do Instituto Innocenti, Bo Viktor Nylund, a desigualdade de rendimentos tem um impacto profundo na aprendizagem escolar, na alimentação e na saúde mental de milhões de crianças.

Segundo o relatório, as crianças que vivem em países mais desiguais têm uma probabilidade 1,7 vezes superior de terem excesso de peso do que aquelas que crescem em países mais igualitários.

Já nas salas de aula, as crianças dos países mais desiguais têm uma probabilidade de 65% de abandonar a escola sem competências básicas de leitura e matemática, comparativamente com 40% entre as crianças dos países mais igualitários.

Por sua vez, apenas 58% das crianças de famílias pertencentes ao quinto com menores rendimentos apresentam um estado de saúde muito bom, em comparação com 73% das famílias do quinto com maiores rendimentos.

Medidas de combate à pobreza infantil 

Com o intuito de minimizar o impacto da desigualdade no bem-estar das crianças, o relatório do Unicef apela aos governos à adoção de medidas com vista a reduzir a pobreza infantil e os seus impactos. 

Entre as medidas propostas, destaca-se o reforço das redes de proteção social, o apoio à habitação subsidiada em comunidades desfavorecidas, o combate à desigualdade e à segregação socioeconómica nas escolas, bem como o desenvolvimento de soluções que promovam o bem-estar das crianças.

Fonte: ONU

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