Resumo
O FNB Moçambique fechou o ano de 2025 com prejuízos significativos de 859 milhões de meticais, devido a imparidades soberanas, ambiente macroeconómico adverso e pressão no setor bancário. O banco destaca os desafios das exposições soberanas, dívida pública e desaceleração económica. Apesar das perdas, mantiveram uma gestão prudente, reforçando provisões e ajustando exposições. O relatório destaca a importância de critérios de avaliação de risco e prudência na expansão do crédito, num contexto de vulnerabilidades fiscais e cambiais. O grupo FirstRand, acionista do FNB Moçambique, reforçou o capital do banco, demonstrando confiança no país.
Segundo o Relatório e Contas 2025, o banco registou um prejuízo líquido de 859 milhões de meticais, comparativamente a perdas de 154 milhões de meticais registadas no exercício anterior.
A instituição financeira reconhece que o desempenho negativo foi fortemente influenciado pelo reconhecimento de imparidades relacionadas com exposições soberanas, num contexto em que o sector bancário moçambicano continua a enfrentar riscos associados à dívida pública, liquidez do mercado e desaceleração económica.
Imparidades Soberanas Voltam a Expor Fragilidades do Ambiente Financeiro Nacional
O agravamento do prejuízo do FNB Moçambique volta a colocar em evidência os efeitos persistentes das vulnerabilidades soberanas sobre o sistema financeiro nacional.
Segundo o banco, o aumento substancial das perdas reflecte sobretudo “o impacto das imparidades relacionadas com exposições soberanas”, num ambiente em que as instituições financeiras continuam particularmente expostas aos riscos fiscais e macroeconómicos domésticos.
O relatório reconhece igualmente que o contexto económico de 2025 permaneceu desafiante, marcado por crescimento moderado, elevada sensibilidade externa e pressão sobre os custos operacionais e financeiros.
A situação evidencia como os riscos soberanos continuam a constituir um dos principais factores estruturais de pressão sobre a rentabilidade da banca moçambicana, sobretudo num contexto de forte interligação entre Estado, dívida pública e sector financeiro.
Banco Mantém Estratégia de Conservadorismo e Gestão Prudencial
Apesar do agravamento das perdas, o FNB sustenta que a instituição manteve uma abordagem prudencial e conservadora em matéria de gestão de risco, reforçando provisões e ajustando exposição a determinados segmentos mais vulneráveis.
O relatório refere que o banco continuou a privilegiar “disciplina de risco, preservação de capital e sustentabilidade operacional”, procurando assegurar resiliência institucional num ambiente financeiro particularmente volátil.
O rácio de crédito malparado permaneceu igualmente pressionado ao longo do exercício, reflectindo dificuldades enfrentadas por empresas e particulares num contexto de crescimento económico limitado e custos financeiros elevados.
Analistas consideram que o actual contexto obriga os bancos a reforçarem critérios de avaliação de risco, provisões e prudência na expansão do crédito, sobretudo em economias ainda expostas a vulnerabilidades fiscais e cambiais.
FirstRand Reforça Capital e Sinaliza Confiança em Moçambique
Um dos elementos mais relevantes do relatório é, contudo, a decisão do grupo FirstRand — accionista do FNB Moçambique — de realizar uma nova injecção de capital no banco.
Segundo o documento, o grupo sul-africano capitalizou a subsidiária moçambicana em cerca de 16,5 milhões de dólares norte-americanos, numa operação interpretada pelo mercado como sinal de confiança nas perspectivas de médio e longo prazo da economia moçambicana.
A administração do banco sustenta que o reforço de capital visa assegurar maior robustez patrimonial, capacidade de crescimento futuro e cumprimento dos requisitos prudenciais do regulador.
O movimento ocorre num momento em que vários grupos financeiros internacionais continuam a avaliar cuidadosamente os riscos e oportunidades do mercado moçambicano, sobretudo à luz das perspectivas associadas ao gás natural, infra-estruturas, logística e transformação económica.
Transformação Digital Continua a Ser Pilar Estratégico
Apesar das dificuldades financeiras, o FNB Moçambique destaca avanços importantes na sua estratégia de digitalização e expansão da actividade transaccional.
O relatório refere crescimento consistente da utilização dos canais digitais, expansão da base de clientes digitais e aumento das operações electrónicas ao longo de 2025.
Segundo o banco, a digitalização continua a assumir-se como um dos principais vectores de eficiência operacional, inclusão financeira e modernização da experiência bancária.
A instituição considera igualmente que a evolução tecnológica deverá continuar a transformar estruturalmente o sector financeiro moçambicano, sobretudo através da integração entre banca digital, pagamentos electrónicos e serviços financeiros móveis.
Ambiente Macroeconómico Continua a Condicionar Sector Bancário
O FNB reconhece que o ambiente macroeconómico doméstico permaneceu particularmente desafiante em 2025.
O banco refere que o crescimento económico foi afectado por múltiplos factores, incluindo desaceleração da procura, custos financeiros elevados, vulnerabilidades externas e incerteza associada ao contexto internacional.
O relatório observa igualmente que a inflação e a política monetária restritiva continuaram a influenciar o comportamento do crédito, investimento e consumo privado.
Neste contexto, os bancos continuam a operar num ambiente caracterizado por maior selectividade na concessão de crédito, pressão sobre margens financeiras e necessidade crescente de reforço prudencial.
Sector Bancário Vive Momento de Reconfiguração Estratégica
O desempenho do FNB Moçambique reflecte igualmente um momento mais amplo de reconfiguração do sistema bancário nacional.
Nos últimos anos, os bancos passaram a operar num ambiente caracterizado por maiores exigências prudenciais, aceleração tecnológica, pressão regulatória crescente, transformação digital acelerada e persistência de riscos soberanos, ao mesmo tempo que procuram adaptar-se a novas dinâmicas competitivas e às mudanças no comportamento dos clientes.
A conjugação destes factores está a obrigar as instituições financeiras a reverem modelos operacionais, estratégias de crescimento, políticas de risco e mecanismos de eficiência, num contexto em que a sustentabilidade financeira passou a depender cada vez mais da capacidade de adaptação tecnológica, robustez patrimonial e resiliência institucional.
Ao mesmo tempo, o potencial associado aos megaprojectos energéticos, expansão logística, integração regional e crescimento da economia digital continua a sustentar expectativas positivas de médio prazo para o sector financeiro moçambicano.
Fonte: O Económico






