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AfDB Procura Mobilizar Sociedade Civil, Diáspora e Filantropia Para Nova Arquitectura Financeira Africana

Resumo

O Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB) está a promover a Nova Arquitectura Financeira Africana para o Desenvolvimento (NAFAD), que visa integrar a sociedade civil, a diáspora africana e instituições filantrópicas na mobilização de recursos para a transformação económica do continente. A NAFAD procura envolver cidadãos africanos ativamente na economia, valorizando a diáspora, fundações privadas e organizações comunitárias para investimentos produtivos. O AFDB destaca a importância de uma abordagem menos dependente da ajuda externa, promovendo parcerias locais e internas. A iniciativa foi discutida num diálogo político em Abidjan, onde se defendeu uma nova visão de financiamento para África, baseada na soberania financeira do continente e numa parceria de iguais.

O Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB) está a promover uma nova abordagem para o financiamento do desenvolvimento africano, procurando integrar de forma mais estruturada a sociedade civil, a diáspora africana e instituições filantrópicas na mobilização de recursos para a transformação económica do continente.

A iniciativa enquadra-se na chamada Nova Arquitectura Financeira Africana para o Desenvolvimento (NAFAD), apresentada pelo AfDB como resposta estratégica ao défice anual de financiamento ao desenvolvimento em África, actualmente estimado em cerca de 400 mil milhões de dólares.

O tema esteve em destaque num diálogo político de alto nível realizado recentemente na sede do AfDB, em Abidjan, reunindo organizações da sociedade civil, redes da diáspora africana e instituições filantrópicas.

AFDB Quer Colocar Comunidades Africanas no Centro do Financiamento ao Desenvolvimento

Segundo o AfDB, a NAFAD procura reposicionar cidadãos africanos, comunidades locais e actores cívicos não apenas como beneficiários de programas de desenvolvimento, mas como participantes activos da transformação económica africana.

Didier Acouetey, coordenador da NAFAD e conselheiro especial da presidência do AFDB, afirmou que a iniciativa pretende colocar “o impacto humano no centro de cada decisão financeira”.

O responsável explicou que o modelo procura valorizar o potencial económico da diáspora africana, das fundações privadas e das organizações comunitárias na canalização de capital para sectores produtivos, agricultura, inclusão social e desenvolvimento local.

Segundo o AFDB, África possui actualmente cerca de 4 biliões de dólares em poupanças domésticas, além de aproximadamente 100 mil milhões USD anuais em remessas da diáspora africana, recursos que a instituição pretende mobilizar de forma mais estruturada para investimentos produtivos.

Sociedade Civil Passa a Ser Vista Como Co-Arquitecta da Transformação Económica

A nova abordagem defendida pelo AFDB reforça igualmente a crescente valorização do terceiro sector e dos actores cívicos na arquitectura económica africana.

“A NAFAD não é apenas uma proposta de reforma; é uma declaração de soberania financeira para África”, afirmou Didier Acouetey.

Segundo o responsável, a iniciativa procura construir um modelo de financiamento menos dependente de paradigmas tradicionais de ajuda externa e mais assente em mobilização interna de recursos, apropriação local e parcerias estruturantes.

A cofundadora do think tank Manssah, Fatoumata Sidibé Diarra, defendeu igualmente a necessidade de abandonar abordagens centradas exclusivamente em assistência internacional.

“A África já não necessita de novos modelos de ajuda. Precisa de estruturas de apropriação que permitam às comunidades e filantropos investir de forma sustentável no bem-estar inclusivo”, afirmou.

Africa Forward Summit Defende “Parceria de Iguais” Com o Continente

O debate sobre financiamento africano ganhou igualmente novo impulso com a declaração conjunta emitida no Africa Forward Summit, realizado esta semana em Nairobi, reunindo Chefes de Estado africanos, França, instituições financeiras multilaterais e parceiros internacionais.

O documento defende uma “parceria de iguais” entre África, Europa e parceiros internacionais, reconhecendo que o actual sistema internacional de financiamento ao desenvolvimento revelou limitações para responder aos desafios contemporâneos.

Os signatários sublinham que a cooperação internacional deve evoluir “de um paradigma tradicional baseado em ajuda para parcerias mutuamente benéficas”, assentes em co-investimento, criação partilhada de valor, apropriação nacional e soberania sobre recursos naturais.

O documento reconhece igualmente os impactos da actual crise geopolítica internacional, particularmente no Médio Oriente, sobre os mercados energéticos globais, inflação, segurança alimentar e vulnerabilidade das economias africanas.

Arquitectura Financeira Africana Procura Mobilizar Capital Privado e Mercados Locais

Tanto o AfDB como os participantes do Africa Forward Summit defendem maior mobilização de capital privado, fortalecimento dos mercados financeiros africanos e expansão de instrumentos de mitigação de risco.

O comunicado de Nairobi destaca a necessidade de aprofundar mercados locais de capitais, reforçar sistemas financeiros africanos e expandir mecanismos de garantias e financiamento concessionário para reduzir o custo do capital no continente.

O documento reconhece ainda que a mobilização de investimento privado exige estabilidade macroeconómica, qualidade institucional, previsibilidade regulatória e melhoria do ambiente de negócios.

África Procura Maior Soberania Financeira Num Contexto de Fragmentação Global

O actual debate reflecte uma tendência crescente de defesa de maior soberania financeira africana num momento marcado por desaceleração económica global, fragmentação geopolítica e redução da disponibilidade de financiamento concessionário internacional.

Instituições africanas procuram actualmente reduzir dependências externas excessivas e construir mecanismos mais resilientes de financiamento ao desenvolvimento.

Nesse contexto, a valorização da sociedade civil, da diáspora, da filantropia africana e dos mercados financeiros locais passou a integrar de forma crescente as discussões sobre a nova arquitectura económica e financeira do continente.

O AfDB considera que o sucesso desta nova abordagem dependerá da capacidade de transformar actores tradicionalmente periféricos do financiamento ao desenvolvimento em parceiros activos da transformação estrutural da economia africana.

Fonte: O Económico

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