InícioNacionalSociedadeCrise dos combustíveis expõe fragilidades do modelo de importação no país

Crise dos combustíveis expõe fragilidades do modelo de importação no país

Resumo

A persistente escassez de combustíveis em Moçambique gera preocupações devido a falhas estruturais no sistema de importação e à falta de comunicação das autoridades durante a crise, segundo analistas. O modelo centralizado de importação de combustíveis é criticado por desencorajar operadores privados e reduzir a competitividade do setor, levando a preços rígidos impostos pelo Estado que não refletem o custo real de importação. A ausência de informação institucional agrava a insegurança dos consumidores e alimenta especulações no mercado, enquanto a pressão dos preços internacionais do petróleo e a instabilidade geopolítica no Médio Oriente justificam os recentes aumentos de preços dos combustíveis em Moçambique, anunciados pela Autoridade Reguladora de Energia.

A persistente escassez de combustíveis em Moçambique continua a gerar preocupação entre consumidores, empresários e especialistas, mesmo após a entrada em vigor dos novos preços dos derivados de petróleo no passado dia 7 de Maio. O tema dominou o debate do programa televisivo Pontos de Vista, onde analistas apontaram falhas estruturais no sistema de importação e criticaram a falta de comunicação das autoridades durante a crise.

O comentador Alberto da Cruz considera que a situação actual revela o fracasso do modelo centralizado de importação de combustíveis adoptado pelo País. Segundo o analista, o controlo rígido de preços imposto pelo Estado desencoraja os operadores privados e reduz a competitividade do sector.

“O mecanismo de preço rígido que o Estado adoptou cria desincentivo para quem quer importar combustível. Não há razão para vender a um preço inferior ao custo real de importação”, afirmou.

Da Cruz entende ainda que a excessiva centralização fragiliza a capacidade de resposta do mercado em períodos de crise.

“Como o sistema é bastante centralizado, não permite competitividade entre os actores. E quando não há competitividade, o sector deixa de ser resiliente”, acrescentou.

O comentador também questionou o silêncio das instituições financeiras sobre a alegada escassez de divisas, apontada por vários sectores como um dos factores que condiciona a importação regular de combustíveis.

“Se Moçambique está bem em termos de reservas internacionais, como dizem os relatórios do Banco Central e o Governo, então o que realmente está a acontecer?”, questionou.

Por sua vez, Hélder Joana criticou a ausência de comunicação institucional numa altura em que a população enfrenta longas filas nos postos de abastecimento e incertezas sobre o fornecimento.

“Numa situação de crise como a que estamos a viver, o primeiro elemento é comunicação. A Direcção Nacional de Combustíveis devia explicar claramente o que está a acontecer”, defendeu.

Segundo Joana, a falta de informação agrava a insegurança dos consumidores e alimenta especulações no mercado.

Os novos preços dos combustíveis foram anunciados pela Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) e entraram em vigor a 7 de Maio. A gasolina passou de 83,57 para 93,69 meticais por litro, representando um aumento de 12,11%, enquanto o gasóleo registou uma subida de 45,53%, passando de 79,88 para 116,25 meticais por litro.

O Governo justificou os reajustes com a pressão dos preços internacionais do petróleo e os efeitos da instabilidade geopolítica no Médio Oriente, particularmente o agravamento das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão.

Fonte: O País

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