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INDÚSTRIA DO PETRÓLEO E GÁS DOMINA O INVESTIMENTO ESTRANGEIRO EM MOÇAMBIQUE

Resumo

O Investimento Direto Estrangeiro (IDE) em Moçambique aumentou 60,2% em 2025, atingindo cerca de 5,693 mil milhões de dólares, impulsionado pelos Grandes Projetos e pela indústria extrativa, que recebeu 91,5% do total. A indústria extrativa liderou com 4.421 milhões de euros, seguida pela indústria transformadora e atividades imobiliárias. Para 2026, prevê-se um recorde de IDE de 5.880 milhões de dólares, impulsionado pelos projetos de gás natural na bacia do Rovuma. Moçambique conta com megaprojetos de gás liderados por TotalEnergies, ExxonMobil e Eni, que têm potencial para tornar o país um dos maiores exportadores de gás liquefeito. Apesar do crescimento, outros setores como a indústria transformadora e serviços recebem uma pequena fatia dos recursos, evidenciando a necessidade de diversificação económica e investimento em educação e empresas locais para garantir um desenvolvimento sustentável.

Por: Lurdes Almeida

O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) em Moçambique aumentou 60,2% em 2025, atingindo cerca de 5,693 mil milhões de dólares, impulsionado pelos Grandes Projectos e pela indústria extrativa, que manteve a posição de maior recetora de investimento, com 4.421 milhões de euros, representando 91,5% do total.

Em 2024, o IDE em Moçambique totalizou 3.553 milhões de dólares (3.014 milhões de euros), segundo dados do Banco Central, simbolizando um crescimento de 41,5% face a 2023, ano em que já havia aumentado 2%.

Em termos de distribuição sectorial, a indústria extrativa manteve-se como a principal recetora de fluxos de investimento, com 5.211 milhões de dólares (4.421 milhões de euros), correspondendo a 91,5% do total do IDE e um aumento de 68,2% em relação a 2024. Seguiu-se a indústria transformadora, com 120,9 milhões de dólares (102,5 milhões de euros), equivalentes a 2,1% do total. Por outro lado, as actividades imobiliárias, de aluguer e serviços às empresas registaram um influxo de 66,4 milhões de dólares (56,4 milhões de euros), correspondendo a 1,2% do total do IDE, mas com um crescimento de 17,9%.

Para 2026, Moçambique prevê um recorde de IDE de 5.880 milhões de dólares (4.988 milhões de euros), impulsionado sobretudo pelos projectos de gás natural. Esse crescimento será “influenciado pela implementação de projectos estruturantes na bacia do Rovuma”, de produção de gás natural liquefeito (GNL), referem os documentos de suporte ao Plano Social e Económico e Orçamento do Estado (PESOE) para 2026. O Banco central, também destaca que a evolução do IDE nos Grandes Projectos tem sido sustentada pelo aumento dos fluxos de capitais no sector de petróleo e gás, com particular enfoque na prospeção e pesquisa de hidrocarbonetos na bacia do Rovuma, bem como na revitalização da indústria do carvão e das areias pesadas.

Moçambique conta com três megaprojectos de desenvolvimento aprovados para a exploração das reservas de gás natural liquefeito (GNL) da bacia do Rovuma, consideradas entre as maiores do mundo, ao largo de Cabo Delgado. Um destes projectos é liderado pela TotalEnergies, enquanto outro pertence à ExxonMobil, com capacidade estimada de 18 mtpa e um investimento de cerca de 30 mil milhões de dólares (26,1 mil milhões de euros), ainda em fase de decisão final de investimento, ambos localizados em Afungi.

A estes junta-se o projecto da italiana Eni, que já produz desde 2022 cerca de sete mtpa através da plataforma flutuante Coral Sul, cujo volume deverá ser duplicado a partir de 2028 com a entrada em operação da Coral Norte, num investimento adicional de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros).

Apesar do crescimento do investimento, outros sectores da economia continuam a receber uma fatia reduzida dos recursos. A indústria transformadora representa apenas 2,1% do IDE, enquanto actividades imobiliárias e serviços às empresas não ultrapassam 1,2%. Esta realidade mostra que a economia moçambicana ainda tem uma estrutura pouco diversificada e com fraca capacidade de gerar cadeias de valor internas, o que limita a retenção de riqueza dentro do país.

Ainda assim, negar a importância estratégica destes investimentos seria ignorar a realidade. O gás natural poderá transformar Moçambique numa potência energética regional e aumentar significativamente o peso económico do país no continente africano. Especialistas acreditam que os projectos em curso poderão colocar Moçambique entre os maiores exportadores mundiais de gás liquefeito nas próximas décadas.

Mas para que isso aconteça de forma sustentável, o país precisa de mais do que contratos milionários, transparência, boa governação, investimento sério na educação, formação técnica da juventude, fortalecimento das empresas nacionais e uma gestão responsável das futuras receitas do gás.

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