O governo do Ruanda afirmou que passou a tratar directamente com o governo de Moçambique o financiamento da presença das forças de segurança ruandesas na província de Cabo Delgado, no combate ao terrorismo na região norte do País.
A informação foi avançada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, através da rede social X, num contexto em que se intensificam os debates sobre a continuidade do apoio internacional às operações de estabilização em Cabo Delgado.
Segundo o governante ruandês, após o recuo do financiamento europeu, Kigali decidiu estabelecer um mecanismo bilateral directo com Maputo para garantir a continuidade da missão.
“Este ano, o Ruanda voltou ao essencial e decidiu lidar exclusivamente com o Governo de Moçambique, que, por sua vez, garantiu e continuará a garantir o financiamento necessário para as forças de segurança ruandesas em Cabo Delgado”, declarou.
A presença das forças ruandesas em Cabo Delgado tem sido apoiada, nos últimos anos, por mecanismos de financiamento internacional, incluindo instrumentos associados à União Europeia, no âmbito de esforços de apoio regional ao combate ao terrorismo.
O alegado recuo do financiamento europeu — não confirmado oficialmente de forma detalhada pelas instituições envolvidas — surge num momento em que a sustentabilidade da missão militar estrangeira em Moçambique tem sido alvo de discussão diplomática.
O ministro ruandês criticou ainda o que considera ser a politização do processo por parte de alguns Estados-membros da União Europeia, referindo dificuldades na renovação dos apoios financeiros.
“Os dois pedidos do Governo do Ruanda a Bruxelas foram recebidos com relutância e politizados por alguns Estados-Membros da UE (…) transformando um apoio crucial ao povo moçambicano numa crítica irracional contra o Ruanda”, afirmou Olivier Nduhungirehe.
As forças ruandesas estão destacadas em Cabo Delgado no âmbito do apoio ao combate aos grupos armados que actuam na região desde 2017, num conflito que provocou deslocações populacionais e impactos significativos na segurança local.
Apesar dos avanços registados nos últimos anos em termos de recuperação de algumas zonas, continuam a ocorrer relatos de incidentes armados em diferentes distritos da província, incluindo áreas como Namuno e Chiúre.
Segundo relatos citados por meios de comunicação locais, têm sido reportados confrontos envolvendo grupos armados e milícias locais, incluindo alegadas acções de grupos conhecidos como naparamas, embora estas informações variem conforme as fontes e não tenham sido oficialmente detalhadas pelas autoridades moçambicanas no mesmo contexto.
A presença ruandesa em Moçambique insere-se numa resposta regional ao terrorismo na África Austral, envolvendo cooperação bilateral e apoio de parceiros internacionais.
Fonte: O País