O Presidente da República iniciou hoje uma visita de trabalho de três dias à província do Niassa, entrando pelo distrito de Cuamba, onde apelou à preservação da paz, condenou a desinformação e comparou os autores de boatos aos grupos terroristas que actuam em Cabo Delgado.
Na sua primeira intervenção pública à população local, Daniel Chapo afirmou que a deslocação se enquadra na estratégia de governação de proximidade adoptada pelo Executivo, após a recente visita presidencial à província de Tete.
“Depois de começarmos a nossa visita à província de Tete, nós decidimos que a seguir vai ser Niassa”, declarou o Chefe do Estado, acrescentando que a deslocação visa avaliar a situação social e económica da população e reforçar o contacto directo entre o Governo e os cidadãos.
Segundo o Presidente da República, a governação próxima implica abandonar “o gabinete em Maputo” para ouvir directamente as preocupações das comunidades nos diferentes distritos da província.
“Conversar com o povo, ouvir as preocupações do povo, porque as preocupações do povo é que servem de nossa fonte de inspiração”, afirmou.
Durante o discurso, Daniel Chapo dedicou parte significativa da intervenção ao combate à desinformação, condenando a circulação de rumores sobre alegados desaparecimentos de órgãos genitais após cumprimentos físicos, situação que classificou como falsa e perigosa.
“Isso é mentira, isso é boato. Não existe, não existiu e nunca vai existir”, declarou, sustentando que não há qualquer registo hospitalar de casos desta natureza no país.
O estadista advertiu que a propagação de notícias falsas pode desencadear actos de violência e considerou os promotores de boatos “inimigos da paz e do desenvolvimento”.
“Estes que estão a espalhar boatos, com aqueles terroristas que estão a matar nossos irmãos em Cabo Delgado, não têm diferença. São inimigos do povo”, afirmou.
Daniel Chapo apelou igualmente à unidade nacional no combate ao terrorismo, à desinformação e à instabilidade social.
Na ocasião, o Chefe do Estado alertou ainda para os efeitos da crise internacional de combustíveis no agravamento do custo de vida, defendendo o reforço da produção agrícola familiar como forma de garantir o autoconsumo e reduzir o impacto económico sobre as famílias.
A visita presidencial ao Niassa deverá incluir deslocações aos distritos de Mecanhelas, Mavago e Muembe, onde o Presidente prevê encontros com autoridades locais e comunidades.
Fonte: O País