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Histórico da Renamo quer forçar saída do líder para travar morte do partido moçambicano

Resumo

António Muchanga, antigo deputado da Renamo, afirmou que Ossufo Momade não cumpriu a promessa de sair da liderança do partido, o que tem gerado uma crise interna. Muchanga defende a saída de Momade para revitalizar a Renamo, recorrendo a ações judiciais para pressionar a atual direção. Ex-guerrilheiros apresentaram queixa à Procuradoria-Geral da República exigindo transparência na gestão financeira do partido. A Renamo enfrenta há anos conflitos internos, contestando a liderança de Momade e a falta de transparência. Momade, eleito em 2018, obteve o pior resultado eleitoral da Renamo em 2024, perdendo influência política. Ex-guerrilheiros consideram que o Conselho Nacional de outubro foi uma manobra para manter Momade na presidência.

“Ele prometeu que ia deixar, mas não quer sair. Então, quem não quer sair tem que ser forçado a sair”, disse António Muchanga, antigo deputado da Renamo.

António Muchanga falava aos jornalistas durante uma visita à província da Zambézia, no centro de Moçambique, de membros ligados ao movimento de contestação interna à liderança de Ossufo Momade, num contexto de crescente pressão de antigos dirigentes, ex-guerrilheiros e militantes que exigem mudanças na condução do partido.

O antigo deputado disse que Ossufo Momade falhou o compromisso assumido de abandonar a liderança do partido, considerando que a sua permanência está a aprofundar a crise interna e a comprometer o processo de revitalização da formação política.

“Queremos que a justiça seja feita e que ele abandone a liderança. Já não está a prestar bom serviço ao partido. Está a matar a relíquia que Dhlakama nos deixou”, declarou o político, acrescentando que a visita à Zambézia tem como objetivo trocar experiências com outros membros do movimento contestatário e acompanhar iniciativas destinadas a pressionar a atual direção da Renamo.

Segundo António Muchanga, os contestatários optaram por recorrer às instituições judiciais para resolver as divergências internas, submetendo processos aos tribunais e à Procuradoria-Geral da República (PGR), rejeitando qualquer recurso à violência para pressionar a atual direção da Renamo.

“Estamos a empurrar a ele, porque quem não cumpre tem de ser empurrado. Então, ele está a ser empurrado para sair e vai sair”, acrescentou.

Na segunda-feira, ex-guerrilheiros da Renamo apresentaram uma participação à PGR exigindo que Ossufo Momade preste contas sobre a gestão dos recursos financeiros recebidos pelo partido nos últimos dois anos, segundo um documento consultado pela Lusa.

Na queixa, os subscritores acusam a direção da Renamo de falta de transparência financeira, alegando inexistência de relatórios de contas, auditorias independentes e prestação regular de informação aos órgãos internos e membros da formação política.

A Renamo enfrenta há vários anos conflitos internos marcados pela contestação à liderança de Ossufo Momade, acusações de falta de transparência na gestão do partido e divergências sobre o funcionamento dos órgãos dirigentes e o rumo político da maior força da oposição moçambicana durante grande parte do período multipartidário.

Ossufo Momade, 65 anos, sucedeu na presidência da Renamo, em 2018, a Afonso Dhlakama (1953-2018), que morreu nesse ano. Foi reeleito em maio de 2024, num processo fortemente contestado internamente, e prometeu não voltar a candidatar-se à liderança do partido.

Momade foi candidato presidencial nas eleições gerais de 09 de outubro de 2024, obtendo 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela Renamo, que foi a principal força de oposição no país desde as primeiras eleições, em 1994, e perdeu igualmente o estatuto de segunda força política, passando de 60 deputados nas legislativas de 2019 para 28 assentos parlamentares nas eleições de 2024.

A Renamo realizou um Conselho Nacional em 16 e 17 de outubro, com os ex-guerrilheiros a considerem que foi “uma manobra dilatória” para manter Momade na presidência.

 

Fonte: Observador

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