Resumo
Familiares, amigos e membros do Governo prestaram a última homenagem ao jornalista e assessor de imprensa moçambicano José Sixpence, falecido recentemente. A cerimónia de velório foi marcada por emoção, recordando o seu percurso profissional e humanismo. Os filhos homenagearam o pai como mentor e principal referência da família, comprometendo-se a preservar o seu legado. A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, enalteceu o contributo de Sixpence para as instituições do Estado e para a comunicação pública, destacando o seu sentido de responsabilidade e dedicação ao serviço público. Amigos recordaram a simplicidade e capacidade de unir pessoas de diferentes gerações e círculos sociais, enquanto colegas realçaram o profissionalismo do jornalista.
Familiares, amigos, colegas de profissão e representantes do Governo prestaram esta semana a última homenagem ao jornalista José Sixpence, falecido no último sábado. A cerimónia de velório, marcada por momentos de profunda emoção, reuniu dezenas de pessoas que recordaram o percurso profissional, o humanismo e o legado deixado por uma das figuras mais respeitadas da comunicação social moçambicana.
Num ambiente de silêncio, lágrimas e recordações, multiplicaram-se os testemunhos sobre a vida de um homem que dedicou grande parte da sua carreira ao jornalismo e, mais tarde, ao serviço público, enquanto assessor de imprensa de vários chefes do Governo.
Familiares destacaram a dimensão humana de José Sixpence, recordando os momentos de convivência, amizade e união que cultivou ao longo da vida.
“As nossas confraternizações já não terão o mesmo tom, a mesma alegria. A canção Mussakazi, que tantas vezes serviu de banda sonora aos nossos momentos felizes, carregará agora um significado mais profundo”, referiu um dos familiares durante a cerimónia, recordou João Saltie, familiar.
Um dos momentos mais marcantes do velório aconteceu quando os filhos tomaram a palavra para homenagear o pai, descrevendo-o como mentor, educador e principal referência da família.
“Pai, a tua partida deixou um vazio que nada nem ninguém será capaz de preencher. Foi contigo que aprendemos valores fundamentais que levaremos para toda a vida. Hoje queremos fazer-te uma promessa: preservar o teu legado e continuar unidos, exatamente como sempre desejaste”, afirmaram.
Em representação do Governo, a Primeira-Ministra, Benvinda Levi, destacou o contributo de José Sixpence para a consolidação das instituições do Estado e para o fortalecimento da comunicação pública.
“José Sixpence foi uma figura relevante que consentiu imensos sacrifícios para realizar com lealdade, zelo e dedicação as suas actividades profissionais em prol da consolidação do Estado moçambicano, tanto como jornalista, assim como assessor de imprensa do Primeiro-Ministro”, afirmou.
Segundo a governante, Sixpence distinguiu-se pelo elevado sentido de responsabilidade e pelo compromisso com o serviço público, tendo muitas vezes sacrificado o convívio familiar para responder aos desafios profissionais que lhe eram confiados.
Amigos próximos recordaram a simplicidade, a capacidade de construir relações duradouras e a facilidade com que aproximava pessoas de diferentes gerações e círculos sociais.
“Sixpence foi um poço fértil de amizades. Conservou amigos de infância, da vida, da profissão e até os amigos dos seus amigos. Sempre presente, sempre fiel e sempre disposto a unir pessoas”, referiu o representante dos amigos.
Também os colegas de profissão prestaram tributo ao jornalista, destacando o seu profissionalismo, rigor e permanente disponibilidade para apoiar os mais jovens.
Representantes da Sociedade Notícias e do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) descreveram Sixpence como um profissional íntegro, respeitado e comprometido com os valores éticos da profissão.
“O seu humanismo, o profissionalismo e a responsabilidade com que assumia as tarefas que lhe eram confiadas levaram-no a granjear simpatia e admiração entre colegas, amigos e superiores hierárquicos”, destacou Faruco Sadique representante do Sindicato Nacional dos Jornalistas.
Formado pela Escola de Jornalismo e pelo Instituto Superior de Relações Internacionais, José Sixpence construiu grande parte da sua carreira na redação do Jornal do Domingo, onde se destacou pelo rigor e pela qualidade do seu trabalho jornalístico.
Em 2015, assumiu funções como assessor de imprensa do Primeiro-Ministro, cargo que exerceu ao lado de diferentes chefes do Governo, incluindo Carlos Agostinho do Rosário, Adriano Maleiane e, mais recentemente, Benvinda Levi.
A sua partida deixa um vazio na comunicação social moçambicana e entre aqueles que com ele trabalharam ao longo de décadas. As homenagens prestadas durante o velório refletiram o reconhecimento de uma vida dedicada ao jornalismo, ao serviço público e à construção de pontes entre as instituições e os cidadãos.
Agostinho do Rosário-Antigo Primeiro-Ministro
“Um jornalista profissional, um jornalista muito isento. Deram-nos uma lista muito grande na altura e ele estava em primeiro lugar nessa lista e seleccionamos o Sixpence. Apareceu no gabinete e mostrou que, de facto, é um jornalista que tinha aquelas qualidades. Um jovem muito humilde, apesar de ele estar na altura no gabinete do Primeiro-Ministro, nunca deixava de fazer essa ponte, essa relação muito forte com os colegas jornalistas e fazia uma ligação boa com os jornalistas, todos eles, e com a Assembleia da República. E era um jovem que era interessante, o seu equilíbrio nas posições, apesar de estar num lugar onde estava, mas era uma pessoa que tinha um sentido de equilíbrio nas posições espectacular”.
Adriano Maleiane-Antigo Primeiro-Ministro
“Eu não tenho palavras para descrever o vazio que nos invade a ausência do Sixpence. Um funcionário, um colaborador, um moçambicano bastante dedicado, ao longo dos anos que eu tive oportunidade de trabalhar com ele. Ele foi sempre aquilo que foi dito, um funcionário que facilitou a minha articulação com a imprensa, com a sociedade, e ele fez isso com muito zelo e muita dedicação”
Orelvo Lapucheque-Jornalista
“Foi uma marca indelével por onde passou, seja na Sociedade Notícias, como jornalista, e mais tarde como assessor de imprensa no gabinete do Primeiro-Ministro. Tive momentos únicos com ele, foi um ser humano de um coração nobre, um alto profissional, Deus o tenha. Eu fui uma das pessoas que trabalhei com ele em várias circunstâncias, presença aberta, até consultório”
Feito Tudo Mal-Colega de trabalho
“Falar de Sixpence é falar de uma pessoa muito amável, de uma pessoa que sabe ser e estar, de uma pessoa que dava ensinamentos em todos os níveis da sociedade. Era um optimista e penso que é assim que devemos olhar para a vida, com optimismo e pensar que haverá dias melhores, mas acima de tudo preservar as coisas boas que ele fez. É daquelas coisas que, infelizmente, enquanto as pessoas estão vivas, nós não dizemos às pessoas e sentimos a falta quando eles partem. Sixpence era essas três coisas, profissional, mas sobretudo humilde”
Fonte: O País
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