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“Basta de matar irmãos”, Igreja Católica

Resumo

A Igreja Católica apelou ao fim da violência em Moçambique, destacando o assassinato do bispo de Quelimane como um ponto crucial no combate aos crimes no país. Durante a missa em homenagem a Dom Osório Citora Afonso, várias entidades expressaram mensagens de pesar e apelo à paz, incluindo a Conferência Episcopal de Moçambique e os Missionários da Consolata. O Arcebispo de Nampula classificou o crime como um atentado aos valores da convivência pacífica. A Santa Sé também enviou condolências, elogiando as qualidades humanas e pastorais do bispo falecido. A cerimónia foi marcada por testemunhos sobre a dedicação e simplicidade de Dom Osório, apelando à unidade nacional e à cultura de paz num contexto de crescente violência contra figuras religiosas e cidadãos.

Maputo, 12 Jun (AIM) – A Igreja Católica apelou hoje (12) o fim da violência em Moçambique, defendendo que o assassinato do bispo de Quelimane, Dom Osório Citora Afonso, deve constituir um ponto de viragem no combate aos crimes que têm vitimado cidadãos e promotores da paz no país.

A posição foi expressa durante a missa de corpo presente celebrada na Paróquia Nossa Senhora do Livramento, na Sé Catedral de Quelimane, através de mensagens da família, dos Missionários da Consolata, das dioceses directamente ligadas ao prelado e da Conferência Episcopal de Moçambique.

O apelo foi feito pelo Arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, Dom Inácio Saúre, que classificou o crime como um atentado contra os valores da convivência pacífica e da fraternidade.

“Que o assassinato bárbaro e cobarde de Dom Osório Citora Afonso marque o ponto final da vergonhosa onda de violência e assassinatos de homens de bem e de paz em Moçambique”, declarou.

“Basta de matar os irmãos. Basta”, afirmou.

A cerimónia foi igualmente marcada por uma mensagem de condolências enviada pelo Dicastério para a Evangelização, da Santa Sé, que destacou as qualidades humanas e pastorais do falecido bispo.

Numa mensagem assinada pelo Cardeal Luís António Tagle, a morte de Dom Osório Citora Afonso é descrita como perda para a Igreja moçambicana de “um pastor zeloso, missionário exemplar, homem de profunda fé e fiel servidor do Evangelho”.

O documento refere que aqueles que com ele conviveram recordam “a sua humildade, bondade fraterna, profundidade espiritual, prudência pastoral e dedicação total à missão”.

Os Missionários da Consolata evocaram a sua simplicidade, espírito missionário e dedicação ao serviço da Igreja.

Ao reagir, o superior regional dos Missionários da Consolata para Moçambique e Angola, padre Cassiano Kalima, afirmou que a notícia do assassinato os encontrou desprevenidos e profundamente feridos, sublinhando que é desse lugar de fragilidade que nasce a força da comunhão.

Recordando o prelado, Kalima descreveu-o como missionário que acreditava na bondade das pessoas, na paz e reconciliação e pastor consumido pelo serviço até ao último dia.

A Arquidiocese da Beira, onde exerceu funções de administrador apostólico, a fonte destacou a proximidade pastoral e a visão que procurava imprimir à Igreja local.

“Nesses poucos meses sentimos a proximidade de um pastor que não se incomodava com o cheiro das suas ovelhas”, refere a mensagem.

A Diocese de Quelimane destacou o legado espiritual, a promoção da justiça, formação humana e vivência da fé.

“Que o Senhor console os nossos corações e que o legado de amor, espírito sinodal, fé e trabalho abnegado deixado pelo nosso pastor continue a fortalecer a nossa Igreja”, assinalou.

Por sua vez, a representante da família agradeceu o apoio recebido de fiéis, autoridades e instituições durante o luto.

“Obrigada aos homens e mulheres que verdadeiramente choram connosco e nos abraçam com sinceridade”, afirmou.

A representante agradeceu ainda à CEM e ao Governo pelo apoio na trasladação dos restos mortais de Dom Osório Citora Afonso para Nampula, onde será sepultado.

Durante a celebração, os participantes apelaram igualmente à unidade nacional e à necessidade de reforço da cultura de paz, num contexto em que têm aumentado os casos de violência contra figuras religiosas e cidadãos envolvidos em acções comunitárias.

(AIM)

NL/mz

 

Fonte: aimnews


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