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FMI conclui avaliação do pedido de financiamento de Moçambique

Resumo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu a avaliação preliminar do pedido de financiamento de Moçambique, destacando a recuperação económica gradual do país, mas alertando para riscos relacionados com dívida, inflação e contexto internacional. A missão do FMI em Maputo discutiu as perspectivas económicas e as condições para um possível novo programa de apoio financeiro, num cenário de crescimento moderado, inflação em alta e desafios orçamentais. A instabilidade global, a guerra no Médio Oriente e choques climáticos recentes aumentam os riscos para a economia moçambicana. As negociações para um novo acordo continuarão nos próximos meses, com previsão de crescimento económico de 0,5% este ano e possibilidade de recuperação gradual em 2023, condicionada pela evolução dos preços das matérias-primas e incertezas globais, apesar do pagamento antecipado da dívida ao FMI em março.

Maputo, 14 de Junho (AIM) – O Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu a avaliação preliminar do pedido de financiamento apresentado por Moçambique, num momento em que o país procura recuperar de uma desaceleração económica e reforçar a estabilidade das suas contas públicas.

A instituição considera que a economia moçambicana está a recuperar gradualmente, mas alerta que persistem riscos significativos relacionados com a dívida, a inflação e o contexto internacional.

O anúncio foi feito na sexta-feira, após uma missão do FMI ter estado em Maputo entre os dias 8 e 12 de Junho para discutir com as autoridades nacionais as perspectivas económicas do país e as condições necessárias para um eventual novo programa de apoio financeiro.

Segundo Pablo Murphy, chefe da missão do FMI, Moçambique enfrenta actualmente uma «situação económica desafiante», marcada por um crescimento moderado e por um ambiente internacional cada vez mais complexo.

«O país enfrenta uma situação económica difícil num contexto global mais adverso. A actividade económica está a recuperar gradualmente da contracção registada em 2025, mas o crescimento permanece moderado. A inflação aumentou recentemente, embora partindo de níveis relativamente baixos, e as vulnerabilidades orçamentais e da dívida continuam a ser motivo de preocupação», refere um comunicado divulgado pela organização.

Durante a visita, a equipa do FMI analisou a evolução recente da economia moçambicana, os planos do Governo para restaurar a sustentabilidade das finanças públicas e as possibilidades de apoio futuro da instituição.

Murphy sublinhou ainda que os efeitos da guerra no Médio Oriente estão a fazer-se sentir em Moçambique, sobretudo através da subida dos preços dos combustíveis e dos fertilizantes. Estes factores, aliados aos impactos de choques climáticos recentes, aumentam os riscos para a economia nacional.

«Estes desenvolvimentos adversos representam riscos adicionais de desaceleração do crescimento e de aceleração da inflação», advertiu.

O FMI informou que as discussões sobre o pedido de financiamento continuarão nos próximos meses, altura em que a instituição regressará a Maputo para aprofundar o diálogo com as autoridades moçambicanas.

A instituição financeira internacional prevê que a economia moçambicana cresça apenas 0,5 por cento este ano, uma projecção revista com base nos dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Apesar do crescimento modesto, o FMI acredita que o país poderá iniciar uma trajectória de recuperação gradual já no próximo ano, embora alerte para os riscos associados à evolução dos preços das matérias-primas nos mercados internacionais e às incertezas económicas globais.

Um dos factores que poderá favorecer as negociações para um novo acordo é o facto de Moçambique ter liquidado integralmente, no final de Março, a sua dívida pendente ao FMI, no valor de 515,04 milhões de Direitos Especiais de Saque, equivalentes a cerca de 630,1 milhões de dólares norte-americanos.

Inicialmente, o país previa efectuar reembolsos faseados até 2029, mas optou por antecipar o pagamento total da dívida, deixando de ter quaisquer atrasos perante a instituição.

(AIM)
Paulino Checo/

 

Fonte: aimnews


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