InícioRevistaInternacionalColômbia-Portugal, 0-0 (crónica)

Colômbia-Portugal, 0-0 (crónica)

Resumo

Portugal empatou com a Colômbia num jogo que poderia ter terminado de forma diferente, com um golo anulado nos descontos devido a uma unha comprida de Davidson Sanchez. Apesar do resultado, a Seleção Nacional revelou dificuldades em controlar o jogo e criar oportunidades, dependendo mais do talento individual do que do jogo coletivo. A Colômbia foi mais agressiva e merecia a vitória, enquanto Portugal mostrou falta de profundidade e criatividade. A equipa de Roberto Martínez enfrenta desafios na próxima fase do Campeonato do Mundo, evidenciando a necessidade de melhorar o seu desempenho coletivo. Este empate expôs as fragilidades de Portugal e a sorte que teve com a situação do jogador colombiano.

Há empates que valem um ponto, há empates que pesam como derrotas e depois há estes, que ficam a meio caminho. Não são branco, nem são preto. Não são carne, nem são peixe. Ficam em cima do muro, a tocar tambor sem fazer a festa, onde chove, mas não molha.

Enfim, metáforas à parte, é um empate que não serve os propósitos de Portugal, mas, bem vistas as coisas, foi um bom resultado.

É que o jogo ficou a uma unha de Davidson Sanchez de ser bem pior.

Aconteceu já no período de descontos, quando o central cabeceou para golo, a Colômbia festejou como louca, o assistente levantou a bandeirola e as repetições convenceram toda a gente de que o homem se enganara, estava mesmo em jogo. Afinal, não: o VAR mostrou que uma unha de Sanchez demasiado comprida o colocava em posição irregular.

Portugal respirou fundo e agradeceu aos céus que o jogador do Galatasaray não tenha tido tempo para ir à pedicure. Foi uma tremenda fortuna (ou o destino a ser nosso amigo).

De resto, Portugal voltou a sair do relvado vergado ao peso de demasiadas dúvidas que carrega na bagagem para Toronto, onde no próximo dia 2 de julho defronta a  Croácia, na próxima fase, agora já a eliminar, deste Campeonato do Mundo.

Pela segunda vez, a equipa de Roberto Martínez pareceu incapaz de controlar o jogo durante largos períodos, voltou a perder-se quando o adversário aumentou a intensidade e confirmou que há uma diferença preocupante entre o talento que tem e o futebol que consegue produzir.

A Colômbia partia em vantagem, um empate bastava-lhe, mas mesmo assim foi ela quem mais teve a bola, quem mais atacou, quem mais rematou, quem mais mereceu ganhar.

Nem sequer precisou de pressionar alto para isso. Muitas vezes recuava e fazia uma pressão média/baixa, mas depois, quando ganhava a bola, acendia o fogo e transformava cada duelo numa batalha física. Portugal parece que esteve sempre muito conformado.

E, quando assim é, deixou de jogar o futebol que melhor sabe.

É verdade que durante a primeira parte houve circulação, mas pouca criatividade. Houve posse, mas quase nenhuma profundidade. Houve paciência, mas raramente houve perigo.

À exceção de quinze minutos a seguir à paragem para hidratação, a Seleção esteve sempre por baixo. Nesses quinze minutos, sim, a Colômbia temeu pela vida. Portugal aparecia por todo o lado, João Félix e Bruno Fernandes aproveitavam os espaços interiores e a equipa criou pelo menos três ocasiões de perigo evidente.

O resto do tempo... bem, o resto foi todo da Colômbia, que soube ser tudo aquilo que Portugal não conseguiu: agressiva sem bola, vertical quando a recuperava e emocionalmente ligada ao jogo do primeiro ao último minuto.

Cada ataque parecia uma oportunidade. Cada lance dividido era encarado como decisivo. Faltou-lhe qualidade para ganhar. A Portugal faltou quase tudo o resto para o merecer.

É precisamente isso que mais preocupa. Não é o empate. Nem sequer a exibição isolada. É a repetição do padrão. Sobretudo após as saídas de Vitinha e João Félix, já no segundo tempo, a Seleção Nacional deixou de atacar e viveu um verdadeiro sufoco.

Esta Seleção continua a viver muito mais da qualidade individual do que da força coletiva. Continua a depender de um rasgo, de um momento de génio ou de uma inspiração pontual para desbloquear jogos que, coletivamente, raramente desbloqueia.

O Mundial entra agora na fase em que as oportunidades deixam de existir em duplicado. E Portugal continua à procura da melhor versão de si próprio, quando já devia estar a consolidá-la. Este empate expôs tudo isso.

Expôs isso e a tremenda sorte que foi a pedicure de Sanchez ter estado sem tempo para ele.

 

Fonte: TVI

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Vítimas do terrorismo em Chiúre sem meios para recomeçar a vida

0
Um ano após o ataque terrorista em Mileja, Cabo Delgado, as famílias ainda lutam para reconstruir as suas vidas, com casas destruídas e dificuldades de...
- Advertisment -spot_img