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MOÇAMBIQUE RECEBE A CONFERÊNCIA AFRICANA PARA IMPULSIONAR O FUTURO DA MANUFACTURA EM ÁFRICA

Resumo

A Associação Industrial de Moçambique (AIMO) e a The Welding Federation (TWF) realizaram a 4.ª Assembleia Anual e Conferência Internacional da Federação de Soldadura em Maputo, com o tema "Manufactura Sustentável em África". O evento focou-se em transformar desafios industriais em soluções práticas, abordando temas como qualificação da mão-de-obra, inovação tecnológica e sustentabilidade industrial. Moçambique enfrenta o desafio de transformar a sua riqueza em valor acrescentado antes de exportá-la, sendo crucial acelerar a transição para a transformação industrial e agregação de valor aos recursos naturais. O fortalecimento do setor manufactureiro é essencial para criar empregos, impulsionar a inovação e reduzir a dependência das exportações de matérias-primas.

Por: Lurdes Almeida

A Associação Industrial de Moçambique (AIMO) e a The Welding Federation (TWF) realizaram, recentemente,  a 4.ª Assembleia Anual e Conferência Internacional da Federação de Soldadura, em Maputo. De acordo com um comunicado oficial, a conferência decorreu sob o lema: “Manufactura Sustentável em África”, com vista a transformar desafios industriais em solucoes praticas, demostrar, avaliar e implementar a tecnologia e parcerias estrategicas ganham forma, numa altura em que os países africanos procuram reforçar a capacidade industrial e responder às exigências de sectores estratégicos, como a mineração, o petróleo e gás.

Durante os três dias do encontro, a qualificação da mão-de-obra, certificação profissional, inovação tecnológica, sustentabilidade industrial e os desafios enfrentados pelos países africanos para responder às necessidades dos grandes projectos de investimento, foram os pontos centrais deste evento.

Paralelamente, por muito tempo, Moçambique habituou-se a celebrar recordes de produção de matérias-primas, como carvão, gás natural, areias pesadas, alumínio, algodão, castanha de caju, açúcar e diversos produtos agrícolas. No entanto, há uma questão central que continua a desafiar a economia nacional: até que ponto Moçambique transforma sua riqueza em valor acrescentado antes de a colocar nos mercados internacionais?

É precisamente neste contexto que a realização deste evento ganha enorme significado, por representar uma oportunidade para discutir o futuro da industrialização africana e, sobretudo, o papel que Moçambique pretende desempenhar numa economia continental cada vez mais integrada. Por outro lado, a história demonstra que nenhum país alcançou níveis elevados de desenvolvimento económico apenas exportando matérias-primas e economias mais prósperas construíram a sua riqueza através da transformação industrial, inovação tecnológica e agregação de valor aos recursos de que dispõem, portanto, é justamente nesta transição que Moçambique precisa acelerar.

O país dispõe de abundantes recursos minerais, enorme potencial agrícola, capacidade energética crescente, uma posição geográfica estratégica e portos que servem vários países da África Austral. Apesar disso, continua a importar muitos produtos que poderiam ser produzidos internamente, enquanto exporta recursos em estado bruto, permitindo que outras economias obtenham os maiores ganhos da cadeia produtiva, logo, é um paradoxo económico, exportar-se riqueza natural, e importar-se riqueza industrial.

O fortalecimento do sector manufactureiro representa uma das respostas mais eficazes para romper este ciclo. Uma indústria competitiva cria empregos formais, impulsiona a inovação, dinamiza pequenas e médias empresas, aumenta a arrecadação fiscal e reduz a vulnerabilidade da economia às oscilações dos preços internacionais das matérias-primas.

Por isso não basta produzir, importa produzir com qualidade, eficiência e capacidade para competir nos mercados regionais e internacionais. Num momento em que a Zona de Comércio Livre Continental Africana abre acesso a um mercado com mais de mil milhões de consumidores, Moçambique não pode limitar-se a ser fornecedor de recursos naturais, mas afirmar-se como produtor de bens industrializados capazes de conquistar espaço além-fronteiras.

Porém, a competitividade industrial não depende apenas da vontade dos empresários, mas também, de políticas públicas consistentes. A capacidade competitiva das empresas nacionais reduz devido aos custos elevados de energia, dificuldades logísticas, burocracia, acesso limitado ao financiamento, insuficiência de infraestruturas industriais e escassez de mão-de-obra especializada.

Moçambique possui recursos, localização estratégica e potencial energético.  Se o país souber aproveitar este momento, poderá deixar de ser conhecido apenas pela abundância dos seus recursos naturais e passar a destacar-se pela força da sua indústria e qualidade dos produtos que coloca no mercado africano e mundial.

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