InícioRevistaTecnologiaJanelas que geram eletricidade? Faz todo o sentido!

Janelas que geram eletricidade? Faz todo o sentido!

Já não está como em outros tempos mais caóticos, mas, o preço da energia na Europa continua a ser uma dor de cabeça constante para qualquer carteira. A solução óbvia para muitos proprietários passa por encher o telhado de painéis solares tradicionais, mas a verdade é que nem toda a gente tem espaço, autorização ou uma cobertura com a orientação certa para fazer o investimento render.

Pois bem, uma equipa de cientistas em Singapura decidiu mudar o jogo e descobriu uma forma de transformar as janelas normais de uma casa ou de um carro em autênticos geradores de eletricidade transparentes.

Ou seja, em vez de tentarem inventar painéis opacos mais eficientes, os investigadores focaram-se na área útil que costumamos desperdiçar… O vidro.

silica, armazenamento

A grande inovação revelada pela Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU) assenta no uso da perovskite, um material com uma estrutura cristalina que permitiu criar células solares dez mil vezes mais finas do que um único fio de cabelo humano.

É graças a esta espessura microscópica que a luz consegue passar pelo painel, permitindo que ele seja transparente ao mesmo tempo que capta energia para a rede doméstica. Embora a eficiência bruta por célula ainda seja inferior à dos painéis de silício que vemos nos telhados, o trunfo aqui está na escala e na facilidade de integração.

Isto porque, de acordo com o estudo científico publicado na ACS Energy Letters, estas películas reduzem a transparência do vidro para cerca de 41%. Pode parecer uma quebra substancial face aos 80% de uma janela limpa, mas na prática a visibilidade continua a ser perfeitamente funcional. Para teres uma noção, uns óculos de sol normais reduzem a transparência para valores entre os 8% e os 18%. Esta característica abre a porta a um mundo de aplicações que vai muito além dos edifícios! Sendo o candidato ideal para revestir os tetos e vidros dos carros elétricos, ajudando a recuperar autonomia em andamento sem estragar o design do veículo.

O grande trunfo técnico da perovskite face ao silício tradicional é a sua capacidade de absorver energia a partir de luz solar indireta ou difusa. Isto é uma vantagem gigantesca em ambientes urbanos densos e cidades cheias de prédios altos. Onde a exposição solar direta é um luxo limitado a poucas horas por dia. Além disso, a líder da investigação, Annalisa Bruno, explicou que estas células conseguem ser afinadas para absorver apenas comprimentos de onda de luz específicos, garantindo que o aspeto visual do vidro não é arruinado para quem está dentro do edifício.

Para fabricar esta película transparente, os cientistas utilizam um processo de evaporação térmica em câmaras de vácuo. O que permite controlar a opacidade do material de forma milimétrica.

Entretanto, o projeto já tem uma patente registada. Dito isto, os analistas estimam que, se esta tecnologia for aplicada em massa nas fachadas de vidro dos grandes arranha-céus de escritórios, será possível gerar centenas de megawatt-hora de eletricidade limpa todos os anos. É o primeiro passo sério para termos edifícios e frotas totalmente autossuficientes nos próximos anos! Isto sem depender de estruturas pesadas e feias no topo dos telhados.

É energia solar a sério, sem grandes limitações. Resta agora ficar a conhecer o preço da coisa.

 

Fonte: Zero Zero

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