InícioRevistaEconomiaBanco Mundial alerta que recursos naturais não são garantia de desenvolvimento

Banco Mundial alerta que recursos naturais não são garantia de desenvolvimento

Maputo, 8 Jul (AIM) – O Banco Mundial considera que a abundância de recursos naturais representa uma oportunidade para Moçambique, mas adverte que, por si só, não garante o desenvolvimento do país.

A posição foi defendida, hoje, em Maputo, pelo Director da Divisão do Banco Mundial para Moçambique, Filipe Sissoko, durante a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique.

Segundo Sissoko, as receitas provenientes dos recursos minerais e do gás natural devem ser canalizadas para investimentos produtivos, infra-estruturas, educação, saúde, criação de emprego e fortalecimento das instituições.

“Os recursos naturais são uma oportunidade, não uma garantia”, afirmou.

Segundo o banco, a riqueza gerada só produzirá benefícios duradouros se for transformada em activos capazes de impulsionar o crescimento económico e melhorar as condições de vida da população.

Na sua intervenção, Sissoko referiu que a experiência dos últimos 25 anos demonstra a capacidade de resiliência de Moçambique, mas também evidencia desafios que exigem decisões estratégicas para assegurar um desenvolvimento mais equilibrado.

Defendeu que o crescimento económico deve traduzir-se em benefícios concretos para a população, criando mais oportunidades para agricultores, trabalhadores, mulheres e jovens.

“O crescimento do Produto Interno Bruto é importante, mas o verdadeiro desenvolvimento mede-se pela melhoria das oportunidades para as pessoas em todo o país”, afirmou.

Para os próximos 25 anos, o Banco Mundial identifica cinco prioridades para Moçambique, nomeadamente, a transformação agro-industrial, desenvolvimento do capital humano, expansão das infra-estruturas, diversificação da economia e reforço das instituições.

Na agricultura, considerou prioritário modernizar o sector, expandir os sistemas de irrigação, aumentar a produtividade e melhorar o acesso dos produtores aos mercados, contribuindo para reforçar a segurança alimentar e criar emprego.

Sublinhou igualmente que o principal activo de Moçambique é a sua população, defendendo maiores investimentos na educação, saúde, nutrição e formação profissional, de forma a preparar os jovens para responder às necessidades da agricultura moderna, da indústria, do turismo e da economia digital.

O responsável destacou ainda que o país dispõe de vantagens estratégicas, como uma população maioritariamente jovem, importantes reservas de gás natural e uma localização geográfica privilegiada, que o coloca como corredor de ligação entre a África Austral e os mercados internacionais.

“A questão não é saber se Moçambique pode crescer. O país já demonstrou que pode. O desafio é transformar esse crescimento em emprego, aumento do rendimento das famílias e prosperidade partilhada”, afirmou.

Por seu turno, o embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore, defendeu que o futuro do país dependerá das decisões tomadas hoje, bem como da existência de instituições fortes, da continuidade das políticas públicas e da participação de todos os sectores da sociedade.

Segundo o diplomata, a conferência constitui uma oportunidade para reflectir sobre o percurso do país e definir prioridades para as próximas décadas.

“A estratégia, por si só, não muda um país. São as instituições que a concretizam e as pessoas que lhe dão vida”, afirmou.

Maggiore reafirmou ainda o compromisso da União Europeia de continuar a apoiar Moçambique, através de uma parceria baseada no diálogo político, na responsabilidade partilhada e na promoção do desenvolvimento inclusivo e sustentável.

A Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique reúne representantes do Governo, parceiros de cooperação, sector privado, sociedade civil e academia para debater a visão estratégica do país para os próximos 25 anos.

(AIM)
SNN/pc

 

Fonte: aimnews

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