InícioRevistaDesportoMOÇAMBIQUE RECEBE 300 XADREZISTAS EM UMA DAS MAIORES PROVAS INTERNACIONAIS DA REGIÃO

MOÇAMBIQUE RECEBE 300 XADREZISTAS EM UMA DAS MAIORES PROVAS INTERNACIONAIS DA REGIÃO

Por: Virgílio Timana

A Federação Moçambicana de Xadrez (FMX) apresentou, esta quinta-feira, os principais contornos da VI.ª edição do Campeonato Aberto de Xadrez de Moçambique 2026, uma competição que decorrerá entre os dias 10 e 12 de Julho e que deverá reunir cerca de 300 praticantes provenientes de oito países da África Austral, além de Portugal e Índia.

Conhecido como "Moçambique Open", o torneio é considerado pela federação a mais importante competição internacional de xadrez organizada anualmente no país. Habitualmente integrado nas celebrações da independência nacional, o evento assume este ano um papel estratégico na preparação da selecção moçambicana para as Olimpíadas Internacionais de Xadrez, marcadas para Setembro, no Uzbequistão.

Durante a conferência de imprensa, o presidente da FMX, Milton Botão, destacou que a prova constitui uma oportunidade única para os xadrezistas nacionais medirem forças com adversários internacionais de elevado nível competitivo.

"Esta é a maior prova internacional que organizamos. Conseguimos reunir jogadores de vários países da região, além de Portugal, e teremos confirmados cerca de cinco mestres internacionais, o que eleva significativamente a qualidade da competição", afirmou.

Milton Botão, presidente da Federação Moçambicana de Xadrez

Além da dimensão internacional, o dirigente sublinhou que o campeonato terá uma forte representação nacional, com atletas provenientes de várias províncias, entre as quais Cabo Delgado, Sofala, Manica, Tete e Zambézia, promovendo uma participação alargada do movimento enxadrístico moçambicano.

A competição principal decorrerá nas instalações do Gallery Hotel – Restaurante Marisol, na Katembe, e integrará os escalões sénior masculino e feminino, juniores e veteranos, num formato aberto que permite a participação simultânea de diferentes categorias. Paralelamente, o escalão de desenvolvimento, reservado às crianças, terá lugar no dia 11 de Julho, no edifício-sede do BCI, na cidade de Maputo.

Segundo Milton Botão, dos cerca de 300 participantes previstos, aproximadamente 120 competirão nos escalões sénior masculino e feminino, enquanto os restantes 180 integrarão a prova de desenvolvimento, considerada pela federação como um investimento essencial na formação das futuras gerações de enxadristas.

A organização prevê igualmente uma das maiores participações femininas de sempre na modalidade, com cerca de 35 jogadoras inscritas na competição sénior, enquanto no escalão de desenvolvimento se regista uma participação equilibrada entre rapazes e raparigas.

No plano competitivo, a prova contará com um prémio monetário global superior a 300 mil meticais, valor que, segundo a FMX, representa um incentivo significativo para os atletas e explica a presença de vários mestres internacionais. O vencedor da categoria sénior masculina deverá arrecadar um prémio na ordem dos mil dólares, além de troféus e medalhas.

Questionado sobre as expectativas para a prestação moçambicana, o presidente da federação manifestou confiança na capacidade dos atletas nacionais para disputarem os primeiros lugares, recordando os resultados alcançados em edições anteriores e o recente desempenho da selecção no Campeonato Africano Individual, realizado no Botsuana.

Entre os principais candidatos nacionais figuram o campeão nacional Ivan Andrade e Donaldo Paiva, considerado actualmente um dos jogadores mais destacados do país, aos quais se juntam os melhores juniores recentemente apurados nos campeonatos nacionais.

A cerimónia de abertura está agendada para sexta-feira, às 09h00, na Katembe, enquanto o encerramento terá lugar no domingo, pelas 17h00, após a realização das últimas partidas e da cerimónia de consagração dos vencedores.

Durante a conferência de imprensa, Milton Botão anunciou ainda que Moçambique acolherá, nos dias 20 e 21 de Agosto, um novo evento internacional dedicado ao xadrez, que deverá reunir cerca de 22 países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da África Austral. A iniciativa incluirá igualmente um torneio feminino de dimensão continental e debates sobre a criação de uma confederação lusófona da modalidade, reforçando a estratégia da federação de consolidar o país como uma referência regional na organização de competições internacionais de xadrez.

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