Quando aconteceu todo o drama do fim dos jogos físicos, se calhar nem ligaste muito à coisa. Podes ser uma daquelas pessoas que já não tem paciência para ir a uma loja, quando é possível fazer download imediato na tua plataforma de eleição. O que é ok. Está tudo bem. Mas… Isto tem outros problemas.
Ou seja, o fim do formato físico não é apenas uma facada no coração dos colecionadores. É, acima de tudo, um ataque direto à carteira dos jogadores. Há quem pense que o futuro digital vai trazer comodidade e preços mais baixos. Afinal de contas, sem toda a logística do formato físico, as contas vão ficar mais baixas para as editoras. Mas, a realidade nua e crua do mercado mostra exatamente o oposto.
Sem a concorrência das lojas físicas, a PlayStation Store, e outras plataformas similares, vão transformar-se num monopólio absoluto. De facto, os primeiros estudos a comparar os preços digitais com os das caixas de plástico já deixam antever o desastre que aí vem.
Mais concretamente, um estudo recente feito pelo site holandês Tweakers, recorrendo à sua ferramenta de comparação de preços, analisou o histórico de 16 grandes títulos do catálogo da PS5 e expôs uma disparidade de preços que é uma autêntica vergonha.

O grande problema do mercado digital da Sony é que as promoções são menos agressivas e, acima de tudo, duram pouquíssimo tempo. Enquanto nas lojas de retalho tradicionais o preço de um jogo em disco vai descendo naturalmente à medida que a procura abranda e os meses passam, na PlayStation Store os jogos mantêm o preço de lançamento (€79,99) anos após terem saído.
Por exemplo, God of War Ragnarök, que já tem imenso tempo de mercado, continua listado na loja digital oficial praticamente ao preço do dia de lançamento. Por outro lado, se fores a uma grande superfície ou à Amazon, encontras facilmente o mesmo jogo em formato físico com descontos que chegam a atingir os 50%. Ou até mais que isso.
A Sony até faz esse desconto na PS Store de vez em quando, mas é temporário, e isso derrota um bocadinho a coisa.
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Portanto, a estratégia da Sony para tentar acalmar os reguladores e as lojas passa por vender caixas com códigos digitais no interior (o chamado “code-in-a-box”). Mas não nos vamos fazer de anjinhos! Esta solução está a ser um fiasco completo.
Retalhistas não querem saber deste formato para nada, porque sem o disco físico, perde-se a joia da coroa do retalho de gaming, que é o mercado de usados. Se as lojas físicas deixarem de vender jogos por causa disto, a PlayStation Store fica sem qualquer concorrência e deixa de ter motivos para fazer descontos atraentes.
De facto, a contestação já saltou dos fóruns para os tribunais. Associações de consumidores holandesas avançaram com um processo judicial massivo contra a Sony, apontando que, em média, os donos de consolas já gastam mais 47% em jogos digitais do que gastariam se optassem pelo formato físico.
As coisas vão mudar, isso é certo. Muito provavelmente para pior.
Fonte: Zero Zero






