Chimoio (Moçambique), 24 Jul (AIM) – A Direcção Provincial de Migração da província central de Manica registou, nos últimos dias, a entrada de cerca de três mil cidadãos moçambicanos que abandonaram a África do Sul, na sequência da onda de ataques xenófobos naquele país.
Grande parte dos regressados dirigiu-se aos distritos de Machaze, Mossurize e Sussundenga, no sul da província, onde têm as suas zonas de origem.
O porta-voz da Direcção Provincial de Migração de Manica, Abílio Mate, avançou a informação esta sexta-feira (24), em Chimoio, durante a conferência de imprensa de balanço das actividades desenvolvidas pela instituição no primeiro semestre de 2026.
“No nosso registo temos a entrada de cerca de três mil concidadãos que regressaram da África do Sul na sequência dos actos xenófobos. Recebemo-los e encontram-se nos distritos de Machaze, Sussundenga e Mossurize”, afirmou.
Segundo a fonte, decorre actualmente o processo de emissão de documentos de identificação para os cidadãos regressados, tendo em conta que alguns residiam na África do Sul em situação migratória irregular.
“Neste momento está em curso o processo de atribuição de documentos a estes nossos irmãos. Como é do conhecimento de todos, alguns deslocaram-se para aquele país vizinho de forma ilegal”, explicou.
Ainda durante o encontro com a imprensa, Abílio Mate revelou que, entre Janeiro e Junho do corrente ano, a Direcção Provincial de Migração reteve 39 cidadãos estrangeiros por entrada ilegal em território moçambicano, contra 36 registados no mesmo período de 2025.
Entre os cidadãos retidos constam nove paquistaneses, oito zimbabweanos, quatro bengalis e cidadãos de outras nacionalidades.
Parte dos imigrantes foi repatriada para os respectivos países de origem, enquanto outros foram encaminhados ao Ministério Público por violação da legislação migratória.
Segundo o porta-voz, estes resultados são fruto do reforço das operações de fiscalização levadas a cabo pela instituição para travar a imigração ilegal.
No período em análise foram realizadas 176 jornadas de fiscalização, número que representa um acréscimo de 44 operações em relação ao período homólogo do ano passado.
“Alguns cidadãos regressaram aos seus países de origem através do Aeroporto Internacional da Beira, enquanto outros foram encaminhados ao Ministério Público por se encontrarem em situação de infracção às normas migratórias, para os procedimentos legais subsequentes”, explicou.
Relativamente ao controlo migratório, a Direcção Provincial de Migração registou, entre Janeiro e Junho, a passagem de 200.148 pessoas pelas fronteiras da província, entre cidadãos nacionais e estrangeiros. Deste universo, 98.995 corresponderam a entradas e 101.223 a saídas.
No período homólogo de 2025 haviam sido registados 193.799 passageiros, o que representa um crescimento de 6.349 viajantes, equivalente a 3,27 por cento.
Abílio Mate atribuiu este aumento ao crescente movimento de cidadãos provenientes dos países do interior da região austral que utilizam o Porto da Beira, na província de Sofala, como corredor logístico.
No que respeita à emissão de vistos, a instituição concedeu 518 vistos de entrada a cidadãos estrangeiros de diversas nacionalidades durante o primeiro semestre de 2026, contra 538 emitidos no mesmo período do ano passado, representando uma redução de 20 vistos.
No mesmo intervalo, a Direcção Provincial de Migração de Manica recebeu e tramitou 8.670 processos, contra 9.288 registados nos primeiros seis meses de 2025, uma redução de cerca de sete por cento.
De acordo com Abílio Mate, esta diminuição resulta da implementação do Decreto n.º 10/2023, de 31 de Março, que isenta de visto cidadãos de 29 países.
“Isso fez com que houvesse uma redução na emissão de vistos. Outro factor é a situação de xenofobia que está a ocorrer na África do Sul”, concluiu.
AIM/Redacção
Fonte: aimnews





