As estradas portuguesas de agosto têm um perfil próprio: carros carregados até ao tejadilho, condutores cansados a fazer centenas de quilómetros de uma vez, gente a conduzir em zonas que não conhece e fiscalização reforçada precisamente por causa disso. É a combinação perfeita para levar com uma coima naquilo que devia ser o primeiro dia de descanso. Vale a pena rever as multas mais comuns nas viagens de verão, porque quase todas resultam de distração e não de intenção.
É a rainha das multas de verão, sobretudo em autoestrada e em travessias de localidades onde o limite cai de repente. As coimas variam consoante o excesso registado e o tipo de via, e escalam depressa: um pequeno excesso resolve-se com uma coima moderada, mas a partir de determinado patamar entra-se em valores de centenas de euros com inibição de conduzir associada.

O erro típico da viagem longa não é a velocidade pontual, é a habituação. Depois de duas horas em autoestrada, os 90 de uma nacional parecem uma paragem, e o pé não acompanha.
Continua a ser das infrações mais fiscalizadas e das mais caras face à banalidade do gesto. E convém saber que não se limita a falar: manusear o telemóvel para mudar de música, ler uma mensagem ou acertar o GPS conta igualmente. Configura o percurso antes de arrancar e usa suporte.
Nas viagens em família, o descuido aparece quase sempre no banco de trás e nos percursos curtos entre a casa alugada e a praia. Todos os ocupantes têm de levar cinto, e as crianças têm de viajar em sistema de retenção adequado à idade, altura e peso. É uma das áreas em que a fiscalização é mais rigorosa e onde a coima é o menor dos problemas.

Em autoestrada, circular permanentemente pela via do meio ou da esquerda quando a da direita está livre é infração, embora muita gente pense que é apenas má educação. Nas nacionais, a ultrapassagem em traço contínuo, típica de quem se impacienta atrás de uma autocaravana, é das que mais aparece nesta época e das mais perigosas.
Nos meses de verão, o estacionamento nos acessos a praias e em zonas de dunas é fortemente fiscalizado. Além da coima, há aqui o risco acrescido do reboque, que transforma um problema de trinta euros num problema de várias centenas e de uma tarde inteira perdida.

Inspeção fora de prazo, seguro caducado ou IUC por pagar são situações que se descobrem no pior momento possível. Ao contrário das outras, resolvem-se antes de sair de casa, com uma verificação de dois minutos.
Entretanto as regras mudam ao passar a fronteira, e o desconhecimento não isenta. Limites de velocidade diferentes, obrigatoriedade de equipamentos específicos, restrições de circulação em centros urbanos e sistemas de portagem próprios apanham muitos portugueses em Espanha e em França. Vale a pena uma pesquisa rápida sobre o país de destino e os de passagem.
Uma nota final que costuma fazer diferença: infrações cometidas noutro Estado-membro podem ser-te comunicadas e cobradas em Portugal, através dos mecanismos europeus de troca de informação. A ideia de que “lá fora não me apanham” é das mais desatualizadas que ainda circulam.
Fonte: Zero Zero




