Poucos fenómenos do céu têm um nome tão enganador. A expressão “Lua Azul” sugere um espetáculo colorido, um satélite tingido de azul a pairar sobre o horizonte. Na realidade, uma Lua Azul é indistinguível de qualquer outra lua cheia e o nome não tem rigorosamente nada a ver com cor. Se procuras a próxima para marcar no calendário, aviso já: vais ter de esperar. A de 2026 já passou, foi a 31 de maio, e as seguintes ficam a alguma distância.
A explicação está na desarmonia entre dois ritmos. Um ciclo lunar completo demora cerca de 29,5 dias, enquanto os nossos meses têm 30 ou 31, e o ano civil tem 365. Ao fim de doze ciclos lunares somam-se cerca de 354 dias, o que deixa uma sobra de onze dias por ano.

Essa sobra acumula-se e, de dois em dois ou de três em três anos, gera uma lua cheia “a mais” que não encaixa no esquema tradicional de doze. É essa lua cheia extra que herda a alcunha de Lua Azul.
A versão mais divulgada hoje é a mensal: chama-se Lua Azul à segunda lua cheia dentro do mesmo mês do calendário. Foi o caso de maio de 2026, com uma lua cheia no dia 1 e outra no dia 31.
Existe, porém, uma definição mais antiga e tradicional, a sazonal, que designa a terceira lua cheia numa estação astronómica que tenha quatro em vez das habituais três. As duas convivem, e é por isso que encontras datas diferentes consoante a fonte que consultas.
Pela definição sazonal, a próxima está prevista para 20 de maio de 2027. Pela definição mensal, aquela que a maioria das pessoas usa, terás de esperar bastante mais: até 31 de dezembro de 2028, precisamente na véspera de Ano Novo.
Vale a pena guardar esta última data, porque uma Lua Azul a coincidir com a passagem de ano é o tipo de coincidência que não se repete com frequência.
A expressão vem do inglês once in a blue moon, usada para descrever algo que acontece muito raramente. É uma questão de linguagem, não de ótica.

Dito isto, existe um cenário em que a Lua fica mesmo azulada, e é bem mais raro do que a Lua Azul do calendário: quando a atmosfera terrestre transporta partículas de dimensão muito específica, capazes de dispersar a luz vermelha e deixar passar preferencialmente a azul. Acontece após grandes erupções vulcânicas ou incêndios florestais de grande escala. Foi observado, por exemplo, na sequência de erupções históricas e aí, sim, o nome faz jus ao fenómeno.
Já que estamos em nomes curiosos, existe o equivalente inverso: chama-se Lua Preta à segunda lua nova dentro do mesmo mês. Como a lua nova não é visível, trata-se sobretudo de uma curiosidade de calendário mas dá noites particularmente escuras, ideais para observar estrelas e meteoros.
Se ficaste com vontade de olhar para cima e a próxima Lua Azul está longe, agosto compensa. A chuva de estrelas das Perseidas atinge o pico por volta dos dias 12 e 13, e no dia 12 há ainda o eclipse solar parcial visível de Portugal ao final da tarde.
Fonte: Zero Zero






