Pois bem, depois de nos venderem a banha da cobra de que o velhinho Hyper-Threading (ou SMT) era uma tecnologia ultrapassada. E que o caminho para o futuro era simplesmente tirar essa funcionalidade dos processadores, a empresa veio agora confirmar o óbvio. Em 2028, a tecnologia vai voltar em força com a arquitetura “Coral Rapids”.
A AMD continua a crescer, e como tal, é preciso ir de encontro aos novos níveis de exigência dos consumidores.
Aliás, podemos até dizer que a Intel passou os últimos anos a fazer experiências no laboratório e a mudar de direção como quem muda de camisa. Tiraram o multithreading dos processadores para consumo com os Core Ultra 200, tiraram dos novos Xeon 7 “Diamond Rapids” que vão sair com 192 núcleos e 192 threads sem SMT, e juravam que a eficiência energética era a única coisa que importava. Resultado? A concorrência abriu o livro no desempenho multi-núcleo e a Intel ficou a ver navios.

Curiosamente, quem teve de dar a cara foi o próprio CEO da Intel, Lip-Bu Tan, que confirmou abertamente que o multithreading vai regressar para garantir a “competitividade contra o concorrente”.
Traduzindo do jargão corporativo para português correto. A AMD continua a dar-lhes um baile no mercado de servidores e eles precisam de voltar a puxar dos galões para não perderem ainda mais quota de mercado.
O grande regresso está marcado para 2028 com os processadores Xeon 8 “Coral Rapids”, numa altura em que a Intel planeia ter a produção em massa do seu nó de 1,4 nanómetros (Intel 14A) a rolar a todo o gás. Prometem avanços no rendimento dos wafer, melhor empacotamento de semicondutores e uma gama capaz de ombrear com os melhores do mercado.
Um dia dizem que o Hyper-Threading não faz falta e que a arquitetura híbrida resolve tudo. No dia seguinte dizem que é fundamental para o desempenho e voltam a metê-lo nos chips. Esta falta de rumo da Intel nos últimos anos custou-lhes rios de dinheiro e deixou os clientes na dúvida sobre em que cavalo devem apostar.
Assim, resta agora saber se até 2028 a AMD não vai continuar a comer-lhes o bolo todo. E claro, se esta promessa de regresso não passa de mais um anúncio feito a quatro anos de distância para tentar acalmar os investidores e os clientes empresariais.
Fonte: Zero Zero




