É oficial. A era André Villas-Boas no FC Porto atingiu a fase de maturidade. Depois da vontade de fazer muito e bem, no primeiro ano, e do maior mercado da história que devolveu o clube ao título de campeão nacional, na segunda, o dragão parece bem resolvido com o passado, feliz com o que construiu e confiante de que isso lhe valerá novas conquistas no futuro, a começar já em 2026/2027.
A própria festa de apresentação do plantel ajudou a fortalecer esta ideia. Pensada ao pormenor, ela falhou em nada. O sol brilhou, o remodelado Estádio do Dragão encheu, a festa foi de arromba e todos terão regressado a casa, pelo menos, satisfeitos.
Só que faltou aquele toque especial, quiçá um reforço de última hora, tema de conversa de muitos adeptos nas horas que antecederam o jogo deste sábado com o Aston Villa. André Villas-Boas já tinha avisado que não haveria uma surpresa como há um ano com Luuk de Jong, mas nas bancadas essa esperança era palpável. Desta vez, a razão sobrepôs-se ao coração.
Depois veio o jogo que, tal como o resto do dia, cumpriu com o esperado, mas não terá deixado ninguém deslumbrado. Frente a um Aston Villa sem grande parte das suas principais figuras (faltaram, entre outros, Emiliano Martínez, Lucas Digne e Emiliano Buendía, sem esquecer os reforços Garnacho e Manzambi), o FC Porto, com André Silva no eixo do ataque e Pablo Rosario como lateral-direito, foi o que todos esperavam que fosse.
Assumiu rapidamente o comando do jogo, dominou territorialmente e até marcou cedo, por William Gomes (5m), solto na área do Aston Villa numa segunda bola que não teve grande oposição.
Podia ter sido o ponto de partida para uma primeira parte arrasadora dos azuis e brancos, e a equipa até tentou, mantendo uma pressão alta eficaz e mostrando alguma versatilidade no ataque, só que uma asneira de Zaidu e Kiwior resultou no empate dos ingleses. O central polaco ainda teve uma hipótese de se redimir, só que entregou a bola a um adversário, acabando Lynch por fazer um bom golo.
Ainda não estava completo o primeiro quarto de hora de jogo, mas aquele momento bastou para deixar o Dragão em suspenso. A equipa, essa, nunca pareceu ter muitas dúvidas do que fazer. Não se deixou abalar com o empate, intensificou a pressão e voltou a marcar perto do intervalo, em mais uma segunda bola mal resolvida pelos defesas ingleses. Desta vez foi Pepê quem rematou para o fundo das redes de um desamparado Bizot.
Empenhado em olear a máquina para o primeiro troféu da temporada, a Supertaça que se joga a 1 de agosto com o Torreense, Francesco Farioli só mexeu a meio da segunda parte, ainda que a equipa não tenha sido capaz de manter o ritmo imposto até ao intervalo.
O Aston Villa aproveitou para passar mais tempo no meio-campo adversário, sem contudo ter criado qualquer oportunidade de golo nesse entretanto.
Como o FC Porto, sempre compacto, também não foi capaz de o fazer, o 2-1 arrastou-se até final. O resultado e as pernas de alguns jogadores portistas, que, no que toca à parte física, cumpriram integralmente com o plano. A questão mais artística da coisa ainda tem tempo para emergir.
A vitória e a exibição no jogo de apresentação provaram, se tal é ainda necessário, que este FC Porto é uma equipa sóbria, pragmática e segura de si, tanto das suas capacidades como das dificuldades. E neste último campo, o mercado pode ajudar a superá-las, desde que, claro, quem faz a diferença não saia entretanto. Sobretudo em ano de regresso à Liga dos Campeões. Em setembro logo se verá.
Fonte: CNN Portugal





