Maputo, 27 de Julho (AIM) – O Governo moçambicano enalteceu o papel desempenhado pela Peace Parks Foundation (PPF) na conservação da biodiversidade em Moçambique, considerando a organização um parceiro estratégico na recuperação das áreas protegidas, mobilização de financiamento e na valorização do turismo de natureza.
As declarações foram feitas pelo Director-geral da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Pejul Calenga, em entrevista concedida à AIM.
Segundo Calenga, a estratégia do Governo para acelerar a recuperação das áreas de conservação assenta em acordos de co-gestão com parceiros especializados, sendo a Peace Parks Foundation um dos exemplos mais relevantes deste modelo de parceria público-privada para a conservação.
“O Governo assumiu que, para assegurar esta reabilitação rápida das áreas de conservação, uma das estratégias seria exactamente firmar acordos de co-gestão das nossas áreas. Estes parceiros ajudam-nos nas operações diárias, na mobilização de financiamento, na capacitação e no reforço da gestão da biodiversidade”, afirmou.
A cooperação entre a ANAC e a Peace Parks Foundation tem produzido resultados assinaláveis ao longo dos últimos anos, sobretudo nos parques inseridos na Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo, considerada uma das maiores iniciativas de conservação em África.
A parceria abrange entre outros, os Parques Nacionais do Limpopo, Zinave, Banhine e Maputo, onde a organização tem apoiado o Governo moçambicano na restauração dos ecossistemas, reintrodução de fauna bravia, reforço da fiscalização, desenvolvimento de infra-estruturas e promoção do turismo sustentável.
Um dos casos mais emblemáticos é o Parque Nacional de Zinave, onde, segundo o director-geral da ANAC, somas colossais para acelerar a recuperação da fauna bravia. Este esforço financeiro, viabilizado com o apoio da Peace Parks Foundation, parceiros internacionais e filantropia, permitiu transformar Zinave numa referência regional de restauração ecológica.
Nos últimos anos, o parque recebeu centenas de animais reintroduzidos, incluindo elefantes, búfalos, zebras, gnus, girafas, chitas, leopardos, hienas e, mais recentemente, rinocerontes e leões permitindo completar os denominados “Big Five” e reforçar o seu atractivo turístico.
A recuperação da fauna abriu igualmente novas perspectivas para o desenvolvimento do ecoturismo e para a criação de emprego e rendimento nas comunidades locais.
Segundo a fonte, a actuação da Peace Parks Foundation estende-se igualmente ao Parque Nacional de Maputo, onde a organização tem apoiado programas de conservação costeira e marinha, melhoria das vias de acesso, reforço da fiscalização e desenvolvimento do turismo de natureza.
O Parque de Maputo destaca-se por proporcionar uma experiência rara em África, permitindo aos visitantes observar, numa curta distância, espécies marinhas emblemáticas e grandes mamíferos terrestres.
No Parque Nacional do Limpopo, a parceria tem contribuído para consolidar a gestão integrada do ecossistema transfronteiriço com a África do Sul e o Zimbabwe, promovendo corredores ecológicos, reforçando a conectividade da fauna e apoiando programas de desenvolvimento comunitário.
Já no Parque Nacional de Banhine, a Peace Parks Foundation tem desempenhado um papel importante na recuperação da biodiversidade, monitoria da fauna, combate à caça furtiva e fortalecimento da capacidade institucional da ANAC, preparando o parque para receber mais visitantes e investimentos ligados ao turismo sustentável.
Calenga sublinhou que a intervenção da Peace Parks Foundation vai muito além do financiamento directo. Segundo explicou, a organização mobiliza recursos junto de doadores internacionais, apoia a formação de fiscais, fornece equipamentos, fortalece a capacidade técnica da ANAC e contribui para reduzir a pressão sobre a biodiversidade através de programas de envolvimento das comunidades.
O director-geral recordou ainda que a gestão das áreas protegidas exige investimentos significativos.
Actualmente, cada área de conservação recebe entre 1,5 e 2 milhões de dólares por ano, valor suficiente apenas para assegurar as condições mínimas de funcionamento. Contudo, a ANAC estima serem necessários entre 3 e 4 milhões de dólares anuais por cada área de conservação para garantir uma gestão eficaz, melhorar infra-estruturas, reforçar a fiscalização e potenciar o turismo.
(AIM)
Paulino Checo/
Fonte: aimnews




