O Google Maps está em praticamente todos os telemóveis e, para a maioria das pessoas, nunca foi bem uma escolha, é só o que vem por defeito. Abres, escreves o destino e assumes que ele te dá o melhor caminho e os resultados mais honestos. Durante anos, foi o que muitos fizeram sem pensar. Mas há um conjunto de mudanças que tem deixado utilizadores irritados e a olhar para alternativas, com o Waze à cabeça. Vale a pena perceber o que mudou e onde o Waze é mesmo melhor.
A primeira queixa é a mais visível. O Google Maps começou a parecer, por vezes, mais um placar publicitário do que um mapa. Quando procuras um café ou um restaurante perto de ti, os primeiros resultados são muitas vezes locais patrocinados que pagaram para ficar ali, empurrando para baixo os sítios mais bem avaliados e realmente próximos.

O próprio mapa ficou mais confuso, com pinos e logótipos de marcas a competir por espaço com pontos de referência reais. E há situações em que a app sugere, durante a navegação, acrescentar uma paragem patrocinada ao trajeto. Ler e responder a esse tipo de sugestão a conduzir não é só irritante, é uma distração.
A segunda crítica é sobre a obsessão em poupar minutos. Na ânsia de cortar tempo, a app manda-te por vezes por uma ruela residencial estreita, por uma zona pouco adequada ou por um desvio esquisito, só para evitar um pequeno abrandamento numa via principal.
O resultado é que o caminho “mais rápido” no ecrã nem sempre é o mais sensato na vida real e muita gente já se viu enfiada num beco a fazer manobras por causa de um atalho que teria sido melhor ignorar.
Esta é a queixa mais séria, e a que convém levar a sério. O Google Maps regista a tua localização de forma quase permanente, usando o GPS, as redes Wi-Fi por perto e a rede móvel. Ao longo do tempo, isso constrói um registo detalhado de onde vives, onde trabalhas e como é a tua rotina.
Esses dados alimentam depois os sistemas de publicidade, ligando os teus movimentos no mundo real à tua atividade online. A funcionalidade de histórico de localização é, no fundo, um diário dos teus percursos e é precisamente aqui que o Waze não resolve o problema, como veremos a seguir.
Por fim, a app engordou. O Google Maps já foi mais leve e direto ao assunto. Hoje carrega carrosséis de fotografias, pedidos de avaliação, sugestões algorítmicas e camadas visuais, edifícios em 3D, realidade aumentada que nem todos os telemóveis aguentam bem a correr ao mesmo tempo que dão indicações.
O telemóvel aquece, o processador abranda para compensar, e o mapa começa a engasgar-se precisamente quando estás a tentar perceber para que faixa te deves mudar.
Aqui está a parte honesta, e a razão pela qual não te digo simplesmente “muda para o Waze e pronto”.

Se o que te chateia são os anúncios visuais no mapa e a navegação, o Waze é uma alternativa muito prática e é dos favoritos em Portugal. Foi feito precisamente à volta do trânsito em tempo real: avisa de filas, acidentes, radares e alterações no percurso com a ajuda da comunidade de condutores, e a interface de condução é mais focada. Para quem passa muito tempo ao volante, é uma mudança que se nota.
Mas se a tua grande preocupação é a privacidade e o rastreio de localização, há um pormenor que tens de saber: o Waze também pertence à Google. Ou seja, mudar de um para o outro não te tira do mesmo ecossistema de recolha de dados. Para esse problema específico, o Waze não é a solução.
Nesse caso, o caminho é outro: existem aplicações de mapas focadas em privacidade, algumas de código aberto, que funcionam sobretudo sem ligação constante e recolhem muito menos dados sobre ti. São menos completas em trânsito e em pontos de interesse, mas é esse o compromisso, menos funcionalidades em troca de menos vigilância.
Nada disto significa que o Google Maps deixe de funcionar amanhã. Para muitas viagens, continua a levar-te ao destino sem problema. Mas vale a pena saberes o que estás a trocar pela comodidade. Se é melhor navegação e alertas que procuras, experimenta o Waze; se é privacidade, olha para as alternativas certas. O importante é perceber que tens escolha e que a app que usas todos os dias por defeito não é a única opção.
Fonte: Zero Zero



