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HOSPITAL CENTRAL DE NAMPULA REGISTA AUMENTO DE MORTES POR DESNUTRIÇÃO INFANTIL NO PRIMEIRO SEMESTRE

Por: Alfredo Júnior

O Hospital Central de Nampula (HCN), a maior unidade sanitária do norte de Moçambique, registou 21 mortes de crianças por desnutrição durante o primeiro semestre de 2026, um número superior ao verificado no mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados esta quarta-feira pelas autoridades de saúde e revelam que, apesar dos esforços para reforçar os programas de nutrição, a desnutrição continua a representar uma das principais ameaças à sobrevivência infantil na província.

Segundo informações avançadas pelas autoridades do HCN e citadas pela agência Lusa, o aumento da mortalidade está associado, em grande medida, à chegada tardia das crianças às unidades sanitárias. Muitos doentes são encaminhados para o hospital já em estado crítico, com complicações provocadas pela desnutrição aguda grave e por doenças associadas, como malária, diarreia e infecções respiratórias, factores que reduzem significativamente as possibilidades de recuperação.

Os profissionais de saúde alertam que a desnutrição infantil continua a ser agravada por factores estruturais como a insegurança alimentar, a pobreza, o acesso limitado a serviços de saúde, água potável e saneamento, bem como práticas inadequadas de alimentação infantil. Em Nampula, estes desafios são ainda mais evidentes em distritos afectados por deslocações populacionais provocadas pela insegurança no norte do país, situação que exerce pressão adicional sobre os serviços de saúde e sobre os meios de subsistência das famílias.

Os dados nacionais confirmam que a desnutrição continua a ser um problema de saúde pública em Moçambique. Segundo estimativas das Nações Unidas, cerca de 100 mil crianças menores de cinco anos deverão necessitar de tratamento para desnutrição aguda grave em 2026. A distribuição de Alimentos Terapêuticos Prontos para Uso (ATPU) e o reforço dos programas comunitários têm contribuído para salvar vidas, mas organismos internacionais alertam que a cobertura ainda permanece insuficiente para responder à dimensão das necessidades.

Em resposta ao problema, o Governo lançou recentemente o Plano de Acção para a Sobrevivência Infantil 2026–2030, instrumento estratégico que pretende acelerar a redução da mortalidade infantil através do fortalecimento dos cuidados de saúde primários, da melhoria da assistência nutricional e da expansão dos serviços comunitários. A iniciativa conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), do UNICEF e de outros parceiros internacionais.

Paralelamente, programas-piloto implementados pelo Instituto Nacional de Acção Social (INAS), em coordenação com o Ministério da Saúde e o UNICEF, têm procurado apoiar famílias com crianças diagnosticadas com desnutrição aguda grave através de transferências monetárias destinadas à aquisição de alimentos nutritivos e ao custeio do transporte para consultas e tratamento. Os projectos estão actualmente em fase de implementação em alguns distritos das províncias de Nampula e Cabo Delgado.

Especialistas em saúde pública consideram que a redução da mortalidade por desnutrição exige uma abordagem integrada que vá além do tratamento hospitalar. Defendem o reforço da vigilância nutricional nas comunidades, a promoção do aleitamento materno exclusivo, a diversificação alimentar, a melhoria das condições de saneamento e o fortalecimento dos programas de protecção social para famílias em situação de vulnerabilidade. Sem estas intervenções, alertam, continuará a verificar-se a chegada tardia das crianças às unidades sanitárias, comprometendo os esforços para reduzir a mortalidade infantil no país.

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