Vou-te dizer já ao que venho: se deixaste um sinal para garantir uma mesa e o restaurante não cumpriu, aquele dinheiro é teu. Não é “um azar”, não é “faz parte”, não é dinheiro perdido. É teu. E, em muitos casos, tens direito a receber o dobro do que entregaste. Isto acontece mais do que parece. Marcas um jantar de aniversário, um grupo grande, uma noite especial. O restaurante pede um sinal para segurar a reserva, trinta, cinquenta euros, às vezes mais. Chega o dia e o sítio está fechado. Mudou de dono, abriu falência, ou simplesmente não abriu. E o teu dinheiro evaporou-se com ele.
A boa notícia é que a lei portuguesa é bastante clara sobre o que aqui se passa. E não te deixa ficar mal.
Sinal não é gorjeta, é um contrato
Quando entregas um sinal, não estás a fazer um favor ao estabelecimento. Estás a selar um acordo: tu comprometes-te a aparecer, eles comprometem-se a ter a mesa. É um contrato, mesmo que ninguém tenha assinado papel nenhum.

E o Código Civil trata isto com uma regra que devias saber de cor. Se és tu a desistir, perdes o sinal, justo, foste tu a falhar. Mas se é a outra parte a falhar contigo, a lógica inverte-se: ela tem de te devolver o sinal em dobro. Ou seja, se deste cinquenta euros e o restaurante não cumpriu, podes exigir cem.
Repara na injustiça que muita gente aceita sem pestanejar: o cliente que falha perde tudo, mas o negócio que falha limita-se a… ficar com o dinheiro? Não. A lei não funciona assim, e é por desconhecimento que os estabelecimentos se safam.
Não precisas de advogado nem de tribunal para a esmagadora maioria destes casos. Precisas de método:

Entretanto é aqui que quero ser franco contigo: a maior parte das pessoas desiste. “São só trinta euros, não vou andar com isto.” E é precisamente com essa desistência que alguns negócios contam. Multiplica esses trinta euros por dezenas de reservas e percebes por que razão a devolução nunca é automática.
Reclamar por escrito, com as provas na mão, resolve a maioria dos casos sem chegar a mais lado nenhum. E quando não resolve, tens caminhos gratuitos para exigir o que é teu. O dinheiro do sinal continua a ser teu enquanto o serviço não for prestado.
Fonte: Zero Zero






