Restos de um foguetão da SpaceX vão embater acidentalmente na quarta-feira contra a Lua, causando uma cratera pequena demais para ser vista da Terra, mas uma nuvem de poeira e fragmentos de rocha observáveis com telescópios terrestres.
O foguetão, cujo segmento superior anda à deriva no espaço, transportou em 2025 dois módulos de alunagem, sendo que um deles foi o primeiro de uma empresa privada a pousar com sucesso na superfície lunar.
Já não é a primeira vez que restos de um foguetão colidem acidentalmente com a Lua.
Em 2022, um segmento de um foguetão chinês cravou duas crateras no lado mais distante da Lua.
Segundo um especialista em astrodinâmica ouvido pela agência noticiosa norte-americana AP, Bill Gray, o impacto da queda do módulo do foguetão da SpaceX será de 8.700 quilómetros por hora, o equivalente a sete vezes a velocidade do som, e próximo da cratera Einstein, no lado lunar ocidental iluminado pelo Sol.
O módulo abandonado no espaço mede 12 metros e pesa cerca de 4,5 quilos.
Ao embater contra a superfície lunar, vai criar uma nova cratera que o cientista planetário Benjamin Fernando estima que irá ter quase 27 metros de diâmetro e cinco metros de profundidade - demasiado pequena para ser vista da Terra, mas visível para duas sondas espaciais na órbita da Lua, a Danuri, da Coreia do Sul, e a LRO, dos Estados Unidos, que irão fotografar os momentos antes e depois do impacto da colisão.
Na Terra, os observadores apenas poderão ver com o auxílio de telescópios o material ejetado para o espaço por força do impacto, e nem todos os observadores, já que as melhores vistas serão obtidas a partir de parte dos Estados Unidos, Canadá e América do Sul, segundo os especialistas.
"Este impacto não será um problema, mas no futuro, quando houver bases de longa duração na Lua, impactos semelhantes serão um problema e não devemos deixar módulos de foguetões em órbitas caóticas como esta", avisou, citado pela AP, o astrofísico Jonathan McDowell.
De acordo com os peritos, a colisão do que resta do foguetão da SpaceX, empresa aeroespacial do magnata Elon Musk, poderia ser evitada se o módulo tivesse sido "empurrado" para a órbita do Sol.
Cientistas consideram que é crucial melhorar a monitorização do lixo espacial antes da chegada de novos robôs e astronautas à Lua.
Os Estados Unidos pretendem enviar novamente astronautas para a superfície lunar em 2027. A última vez que o fizeram foi em 1972.
A China, principal adversário dos Estados Unidos na conquista do espaço, ambiciona ter o seu primeiro astronauta na Lua até 2030.
Fonte: TVI






