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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">Documento Orientador Da Fundação Joaquim Chissano Para Próxima Década Aposta No Diálogo, Na Produção De Conhecimento, Na Promoção Da Paz, Na Prevenção Da Violência Baseada No Género E Na Construção De Parcerias Entre Estado, Sector Privado, Academia, Sociedade Civil E Parceiros Internacionais Para Responder Aos Desafios Nacionais E Globais.
A Fundação “Não É De Joaquim Chissano” Pertence À Sociedade E Deve Sobreviver Às Pessoas Que A Criaram
A Fundação Joaquim Chissano apresentou, esta sexta-feira, (30.07.2026) em Maputo, o seu Plano Estratégico para o período 2026 – 2035, assumindo a ambição de consolidar-se como uma plataforma de referência para a promoção da paz, do desenvolvimento sustentável, da cultura e da produção de conhecimento no contexto nacional.
O lançamento do novo plano estratégico ocorre num contexto em que Moçambique procura acelerar a implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025 – 2044 e do Programa Quinquenal do Governo 2025 – 2029, instrumentos que colocam no centro da agenda nacional a transformação económica, o desenvolvimento do capital humano, a boa governação, a inclusão social e a consolidação da paz.
Durante a cerimónia, o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, Patrono da Fundação, defendeu que a organização deve ser entendida como um património colectivo e apelou ao reforço das parcerias entre o Estado, sector privado, academia, sociedade civil e parceiros internacionais para enfrentar os desafios que Moçambique e o mundo enfrentam.
Recordando os tempos da luta de libertação nacional e uma conhecida mensagem do Presidente Eduardo Mondlane, afirmou que uma organização só ganha verdadeira dimensão quando deixa de depender do seu fundador.
“Tenho dito sempre que a Fundação Joaquim Chissano não é de Joaquim Chissano. É uma Fundação com o seu nome, mas pertence à sociedade. A Fundação é vossa.”
Plano Estratégico Nasce De Uma Profunda Reflexão Institucional Com Maior Capacidade De Gerar Impacto Social
Joaquim Chissano revelou que o Plano Estratégico resulta de um processo de reflexão iniciado na segunda metade de 2023, destinado a reavaliar a missão, os objectivos e a estrutura da Fundação.
Desse exercício resultaram duas reformas estruturantes. A primeira incidiu sobre a revisão dos estatutos, introduzindo novos mecanismos de funcionamento e criando, pela primeira vez, a figura formal de membros da Fundação. A segunda traduziu-se na renovação e redimensionamento dos órgãos sociais, procurando incorporar novas competências, diferentes gerações e maior diversidade de experiências.
Segundo explicou, a conclusão desse exercício confirmou que os pilares históricos da Fundação continuam atuais, embora devam concentrar-se em causas específicas com maior capacidade de gerar impacto social.
Joaquim Chissano “Capital Humano Está Acima Dos Recursos Naturais”
Um dos momentos mais marcantes da intervenção do primeiro presidente de Moçambique Independente, foi a reflexão sobre aquilo que considera ser o verdadeiro activo estratégico do país. Contrariando a ideia de que a riqueza nacional assenta essencialmente nos recursos minerais ou energéticos, Joaquim Chissano defendeu que o maior património do país reside nas pessoas.
“O nosso maior activo estratégico não são os recursos minerais, nem o gás, nem a posição geográfica. São as pessoas.”
O antigo Chefe de Estado destacou particularmente o papel dos jovens, das mulheres, dos agricultores, professores, profissionais de saúde, empreendedores, funcionários públicos, membros das forças de defesa e segurança e trabalhadores do sector informal como protagonistas do desenvolvimento nacional.
Segundo afirmou, é sobre este capital humano que a Fundação pretende construir a sua actuação durante a próxima década.
Paz Continua No Centro Da Estratégia Para Garantir Desenvolvimento, Estabilidade E Bem-Estar Colectivo
Joaquim Chissano alertou para o crescimento de diferentes formas de violência na sociedade, manifestando particular preocupação com a violência contra mulheres e raparigas considerando que este fenómeno compromete a paz, enfraquece a democracia e limita a participação plena das mulheres na vida económica, política e social do país.
“Nós, os homens, temos uma grande responsabilidade para acabar com a violência contra as mulheres. Chega. Precisamos sair do lugar do problema para o lugar da solução.”
Para Chissano, investir na paz continua a ser o maior investimento para garantir desenvolvimento, estabilidade e bem-estar colectivo.
Desenvolvimento Exige Responsabilidades Partilhadas Entre Governo, Sector Privado E Sociedade Civil
Dirigindo-se aos presentes, Joaquim Chissano insistiu que nenhum dos actuais desafios que os moçambicanos enfrentam actualmente no processo de Desenvolvimento poderá ser resolvido isoladamente. Na sua perspectiva, nem o Governo, nem o sector privado, nem a sociedade civil, actuando separadamente, conseguirão produzir transformações estruturais.
Por isso, apelou à construção de uma cultura permanente de diálogo e cooperação entre seis grandes grupos de atores: parceiros internacionais, comunidade diplomática, Governo, sector privado, academia e sociedade civil, atribuindo igualmente um papel central à juventude.
Segundo afirmou, o verdadeiro desenvolvimento nasce quando diferentes instituições deixam de competir e passam a construir soluções em conjunto.
Governo Vê Fundação Como Parceiro Estratégico De Desenvolvimento
Na qualidade de representante do Governo, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, considerou que a Fundação Joaquim Chissano constitui uma das instituições de utilidade pública mais relevantes do país.
Transmitindo as felicitações do Presidente da República, Daniel Chapo, Valá destacou que o Plano Estratégico da Fundação Joaquim Chissano, representa muito mais do que um documento interno de gestão. Para o Governante, o instrumento representa um compromisso institucional alinhado com os grandes objectivos nacionais de desenvolvimento.
“Não existe desenvolvimento sustentável onde não há paz. Mas também sabemos que a paz não se limita à ausência de conflito.”
Salim Valá defendeu no entanto que a paz depende igualmente da inclusão económica, da justiça social, da criação de oportunidades e do fortalecimento da confiança entre cidadãos e instituições.
Plano Estratégico Da Fundação J. Chissano Está Alinhamento Com A Estratégia Nacional De Desenvolvimento
O titular da pasta de Planificação e Desenvolvimento, sublinhou que o horizonte temporal do Plano Estratégico da Fundação Joaquim Chissano, coincide com os principais instrumentos nacionais de planeamento.
Na sua leitura, existe espaço para uma cooperação estreita entre o Executivo e a Fundação em domínios como investigação aplicada, diálogo sobre políticas públicas, valorização da cultura, mobilização comunitária e formação de novas gerações.
Ministro Valá, acrescentou que o Governo reconhece o papel das organizações da sociedade civil como parceiras indispensáveis para tornar as políticas públicas mais inclusivas, participativas e próximas das comunidades. Nesse sentido, o verdadeiro sucesso do plano Estratégico apresentado pela fundação Joaquim Chissano para o período 2026-2035, dependerá da sua tradução em programas concretos, metas mensuráveis, indicadores verificáveis e mecanismos permanentes de aprendizagem institucional.
Com um horizonte de dez anos, o Plano Estratégico 2026 – 2035 posiciona a Fundação Joaquim Chissano como um espaço de produção de conhecimento, promoção da cultura de paz e construção de consensos nacionais. O documento procura transformar a experiência acumulada da instituição numa plataforma de intervenção capaz de mobilizar o Estado, sector privado, academia, parceiros internacionais e sociedade civil em torno de uma agenda comum de desenvolvimento sustentável, inclusão social e fortalecimento da cidadania em Moçambique.
Fonte: O Económico






