Acontece aos mais atentos. Estás com pressa, chega uma mensagem credível, clicas e um segundo depois cai-te o coração aos pés. Respira. Não estás sozinho nisto e, ao contrário do que o pânico te diz, na maioria dos casos ainda vais a tempo. O que fazes nos dez minutos seguintes quando clickas num link falso é o que decide se isto fica em susto ou se vira problema a sério. Vou dar-te o guião, por ordem, sem drama.
Nem todos os links falsos são iguais, e saber com qual estás a lidar ajuda-te a reagir. Uns levam-te a uma página clonada (do banco, dos CTT, da Segurança Social) que só quer que escrevas dados. Outros tentam descarregar algo para o teu aparelho. E há os que apenas confirmam ao burlão que o teu número está ativo, para te encherem de mais mensagens. Se só abriste a página e não escreveste nada nem descarregaste nada, respira fundo, o risco é baixo. O perigo a sério começa quando entregaste informação ou instalaste algo.

Se abriste uma página que te pede dados, fecha tudo e não escrevas mais nada. Se algo começou a descarregar para o telemóvel ou o computador, desliga a internet — wi-fi e dados móveis — para isolar o aparelho. Muitos ataques precisam de ligação ativa para dar o passo seguinte; cortá-la trava-os a meio.
O que fazes agora depende do que entregaste, e a ordem importa:
Com o urgente tratado, resolve o resto com cabeça fria. Ativa a autenticação em dois passos nas contas importantes, mesmo que tenham a tua password, não entram sem o segundo código. Corre uma verificação de segurança no aparelho e, se instalaste alguma aplicação estranha, desinstala-a. Vigia os movimentos bancários nos dias seguintes: qualquer cobrança fora do normal, por pequena que seja, reporta-a. Os burlões testam muitas vezes com valores minúsculos antes do golpe grande.

Não tenhas vergonha. Isto acontece a toda a gente, incluindo a pessoas muito informadas. Faz uma captura de ecrã da mensagem e do link e apresenta queixa às autoridades; serve o teu caso e ajuda a travar o esquema para o próximo. E se o golpe veio pela conta de alguém que conheces, avisa essa pessoa: é provável que a conta dela esteja comprometida e a espalhar o mesmo isco a toda a lista de contactos.
Nos dias seguintes, fica atento a três sinais: movimentos que não reconheces, mensagens de login de sítios estranhos, ou amigos a dizerem que receberam mensagens tuas que não enviaste. Se nada disto acontecer numa semana ou duas, é quase certo que o susto ficou só nisso.
Entretanto o erro de clicar não é o fim do mundo. O que faz a diferença é a velocidade da resposta. Age nos primeiros dez minutos e, na esmagadora maioria dos casos, ficas-te por um susto e uma lição bem aprendida sobre o próximo link que te tentar a pressa.
Fonte: Zero Zero


