Por: Alfredo Júnior
O Governo de Moçambique e o Alto Comissariado do Reino Unido lançaram, em Maputo, o projecto Resiliência, Adaptação e Inovação em Moçambique (RAIZ), uma iniciativa avaliada em 4,7 milhões de euros destinada a facilitar o acesso das pequenas e médias empresas (PME) ao financiamento, mobilizar investimento privado e promover soluções inovadoras para o fortalecimento do sector empresarial. O programa surge num contexto em que as dificuldades de acesso ao crédito continuam a ser um dos principais entraves ao crescimento das empresas moçambicanas.
A iniciativa enquadra-se na cooperação económica entre Moçambique e o Reino Unido e pretende reduzir os riscos associados ao financiamento das PME, criando mecanismos que incentivem as instituições financeiras a expandirem o crédito ao sector privado. O projecto prevê igualmente apoiar o desenvolvimento de instrumentos financeiros inovadores e reforçar a capacidade das empresas para atrair investimento e aumentar a sua competitividade.
Segundo o Executivo, o fortalecimento das PME é considerado estratégico para impulsionar a diversificação da economia, estimular a industrialização e criar emprego, sobretudo entre jovens e mulheres. As pequenas e médias empresas representam a maioria do tecido empresarial moçambicano, mas continuam a enfrentar dificuldades de financiamento devido às elevadas taxas de juro, exigências de garantias bancárias e limitada inclusão financeira.
O lançamento do RAIZ coincide com a implementação do Pacto para o Crescimento Económico Inclusivo, uma parceria entre Moçambique e o Reino Unido que prevê mobilizar até 3 mil milhões de dólares em investimento privado para sectores estratégicos da economia. O Governo considera que iniciativas como o RAIZ poderão contribuir para transformar este compromisso em investimentos concretos, reforçando o papel do sector privado como motor do crescimento económico.
Dados de instituições internacionais indicam que o acesso ao financiamento continua a ser uma das principais limitações ao desenvolvimento das PME em Moçambique. Apesar da relevância destas empresas para a geração de emprego e rendimento, muitas operam com reduzida capacidade de investimento, o que limita a inovação, a produtividade e a expansão dos negócios. A falta de instrumentos financeiros adequados é frequentemente apontada como um dos factores que condicionam o crescimento do sector privado.
Especialistas consideram que o impacto do projecto dependerá da sua implementação efectiva e da capacidade de envolver bancos comerciais, instituições financeiras de desenvolvimento e investidores privados. Defendem igualmente que o reforço do acesso ao crédito deve ser acompanhado por assistência técnica, educação financeira, simplificação dos processos administrativos e melhoria do ambiente de negócios, para que as empresas consigam transformar financiamento em crescimento sustentável.
O lançamento do RAIZ reforça a estratégia do Governo de mobilizar parcerias internacionais para dinamizar o sector privado, numa altura em que Moçambique procura diversificar a economia, aumentar a participação das PME nas cadeias de valor e reduzir a dependência de grandes projectos extractivos como principal motor do crescimento económico.





