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Câmaras com Inteligência Artificial (IA), drones e sensores estão a tornar a deteção de incêndios mais rápida e precisa. Ainda assim, quando as chamas ganham dimensão, continua a ser o trabalho dos bombeiros no terreno que faz a diferença.
Os incêndios florestais continuam a devastar várias regiões do sul da Europa, obrigando à retirada de milhares de pessoas e colocando enorme pressão sobre os meios de combate.
Para Portugal, este é um tema particularmente relevante, tendo em conta que o país enfrenta, todos os anos, incêndios florestais de grande dimensão que causam elevados prejuízos e, por vezes, perdas de vidas humanas.
Num cenário em que as alterações climáticas têm aumentado a frequência e a intensidade destes eventos, a tecnologia assume um papel cada vez mais relevante, especialmente na deteção precoce e na monitorização da evolução das chamas.
Apesar dos avanços registados nos últimos anos, os especialistas citados pela BBC, numa , garantem que ainda está longe o dia em que os bombeiros possam ser substituídos por máquinas.
Uma das maiores evoluções verificadas nos últimos anos aconteceu na deteção de incêndios. Em algumas regiões francesas, como Gironde, as tradicionais torres de vigia deram lugar a câmaras equipadas com IA, capazes de monitorizar grandes áreas florestais e identificar focos de incêndio a até 20 quilómetros de distância.
Segundo os responsáveis por estes sistemas, a tecnologia consegue distinguir, com um elevado grau de precisão, o fumo de poeiras levantadas por maquinaria agrícola, reduzindo os falsos alarmes.
Quando um incêndio é detetado, é enviado um alerta imediato para os bombeiros, através de uma aplicação que apresenta imagens em tempo real, a localização exata do foco e uma simulação da propagação das chamas, calculada com base nas condições meteorológicas e na humidade.
De acordo com a empresa francesa FireTracking, houve situações em que o sistema identificou incêndios cerca de 15 minutos antes da primeira chamada para os serviços de emergência, um intervalo que pode revelar-se decisivo para impedir que um pequeno foco evolua para um grande incêndio.
Além da IA, estão também em desenvolvimento novas soluções baseadas em drones e sensores distribuídos pela floresta. Em Espanha, o projeto SenForFire está a testar sensores capazes de detetar gases libertados antes de as chamas serem visíveis, permitindo antecipar ainda mais a resposta.
Em França, decorrem igualmente testes com drones alimentados por energia solar para realizar patrulhas contínuas. Paralelamente, algumas empresas trabalham no desenvolvimento de drones de grande capacidade capazes de lançar água ou agentes extintores durante as fases iniciais de um incêndio.
Também investigadores franceses estão a desenvolver drones capazes de voar próximo das chamas para recolher informação sobre a evolução do incêndio e identificar riscos para as equipas no terreno, como alterações repentinas do vento, fumo intenso ou queda de árvores.
Entretanto, Portugal também tem vindo a investir em tecnologias de apoio à prevenção e ao combate aos incêndios. Um dos exemplos é o , que utiliza uma rede de câmaras inteligentes, IA e análise de vídeo para detetar focos de incêndio em tempo real e apoiar a gestão operacional.
Desenvolvido pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores Inovação (), o CICLOPE é um sistema de videovigilância totalmente português que permite detetar e monitorizar incêndios em tempo real.
Composto por um conjunto de torres de vigilância e aquisição de dados, fornece informação para o combate aos incêndios, como o surgimento de colunas de fumo, chamas ou pontos quentes, enviando-os para Centros de Controlo e Gestão, onde as autoridades têm acesso à localização precisa dos incidentes e a outros elementos essenciais para a tomada de decisão.
Paralelamente, projetos de investigação como o e o já começaram a explorar a utilização de drones, sensores avançados, gémeos digitais e algoritmos de IA para melhorar a monitorização dos incêndios e apoiar a tomada de decisão das equipas no terreno.
Apesar destes avanços, a tecnologia continua a desempenhar um papel complementar.
Aviões anfíbios como os conseguem reduzir significativamente a intensidade das chamas através de descargas de água, enquanto outras aeronaves lançam produtos retardantes para dificultar a propagação do fogo. No entanto, nenhuma destas soluções consegue extinguir um incêndio por si só.
Depois da intervenção aérea, continua a ser indispensável a ação dos bombeiros no terreno para combater os focos remanescentes, consolidar o rescaldo e evitar que o incêndio reacenda.
A IA, os drones e os sensores estão a transformar a forma como os incêndios são detetados e monitorizados, permitindo uma resposta mais rápida e melhor informada.
À medida que estas tecnologias evoluírem, poderão contribuir para reduzir a dimensão dos incêndios e aumentar a segurança das operações.
Contudo, a realidade no terreno continua a demonstrar que o combate direto às chamas depende da experiência e da intervenção humana. Assim sendo, a tecnologia poderá tornar o trabalho dos bombeiros mais eficiente e mais seguro, mas, para já, está longe de substituir quem enfrenta diariamente os incêndios.
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Fonte: Pplware






