Por: Alfredo Júnior
A presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Graça Machel, defendeu a definição de metas concretas para aumentar a representação das mulheres nos conselhos de administração de empresas públicas e privadas, considerando que a igualdade de género na economia exige medidas mais ambiciosas do que as adoptadas até agora. A posição foi apresentada durante a IV Conferência Mulheres na Economia, realizada em Maputo, dedicada ao tema da liderança feminina e do acesso das mulheres aos sectores estratégicos da economia.
Segundo Graça Machel, Moçambique registou progressos importantes na participação política das mulheres, mas a mesma evolução ainda não se reflecte na esfera económica, onde a presença feminina continua reduzida nos cargos de decisão. Para a activista, o país necessita de estratégias claras, acompanhadas de metas e mecanismos de monitoria, que permitam transformar as estruturas empresariais e ampliar o espaço das mulheres na gestão e na liderança.
A antiga primeira-dama defendeu que a inclusão económica deve ser tratada como uma prioridade nacional e não apenas como uma questão de responsabilidade social. Na sua perspectiva, a participação das mulheres nos órgãos de decisão fortalece a governação das empresas, melhora a qualidade das decisões estratégicas e contribui para um crescimento económico mais inclusivo.
A conferência reuniu representantes do Governo, do sector privado, organizações da sociedade civil, académicos e parceiros de desenvolvimento para discutir formas de acelerar a participação feminina na economia. Entre os temas debatidos estiveram a liderança empresarial, o acesso ao financiamento, o conteúdo local, a formação profissional e o desenvolvimento de redes de apoio às mulheres empreendedoras e gestoras.
Embora as mulheres representem mais de metade da população moçambicana e tenham uma forte presença em actividades como agricultura, comércio e microempreendedorismo, continuam sub-representadas nos conselhos de administração e em cargos executivos de topo. Estudos internacionais mostram que barreiras como o acesso limitado ao financiamento, normas sociais, menor acesso a redes de influência e oportunidades desiguais de progressão profissional continuam a restringir a ascensão feminina aos níveis mais elevados de liderança empresarial.
Graça Machel argumentou que a adopção de metas de representação não deve ser encarada como um privilégio, mas como um instrumento para corrigir desigualdades estruturais. A responsável recordou que mecanismos semelhantes permitiram aumentar significativamente a presença das mulheres nas instituições políticas, defendendo que uma abordagem equivalente poderá acelerar a transformação no sector económico.
A discussão acompanha uma tendência internacional de reforço da diversidade nos órgãos de administração. Nos últimos anos, vários países introduziram metas ou quotas para aumentar a participação feminina nos conselhos de administração, sustentando que empresas com maior diversidade tendem a apresentar melhor desempenho em matérias como inovação, governação corporativa e gestão de risco. Em Moçambique, especialistas consideram que o desafio passa por combinar políticas públicas, compromisso do sector privado e programas de capacitação que preparem mais mulheres para funções de liderança.






