InícioRevistaSociedadeUEM prepara directrizes para uso da Inteligência Artificial no ensino e investigação

UEM prepara directrizes para uso da Inteligência Artificial no ensino e investigação

Maputo, 12 de Agosto de 2026 (AIM) – A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) está a consolidar directrizes para orientar o uso da Inteligência Artificial (IA) no ensino, aprendizagem, investigação e gestão, com enfoque na ética, transparência, protecção de dados, integridade académica e supervisão humana.

O anúncio foi feito hoje, em Maputo, pelo Reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, durante a inauguração da Sala do Futuro, na Faculdade de Ciências, uma infra-estrutura dedicada à Robótica e à Inteligência Artificial, concebida para proporcionar condições de experimentação, investigação, aprendizagem colaborativa e desenvolvimento de protótipos.

“Pretendemos promover uma utilização responsável, ética, transparente e centrada no ser humano, que valorize a integridade académica, a protecção de dados, a supervisão humana e o pensamento crítico”, disse.

Segundo o académico, a nova sala deverá desempenhar um papel importante na aplicação prática das orientações que estão a ser consolidadas pela universidade, constituindo um espaço onde os princípios de utilização responsável da IA poderão ser aplicados, testados e aperfeiçoados.

“Esta Sala deverá constituir um ambiente privilegiado para aplicar, testar e aperfeiçoar esses princípios”, afirmou.

A aposta da UEM ocorre num contexto de rápida expansão das tecnologias de IA, que, segundo o Reitor, já deixaram de pertencer ao domínio da ficção científica para produzirem impactos directos em sectores como a saúde, educação, agricultura, indústria, ambiente e segurança.

Para a universidade, a questão passa, por isso, não apenas pela adopção destas tecnologias, mas também pela preparação de estudantes, docentes e investigadores para as utilizarem de forma crítica e responsável.

A Sala do Futuro deverá permitir que estudantes, docentes e investigadores desenvolvam competências científicas e tecnológicas, testem ideias, formulem soluções e explorem aplicações da Robótica e da IA, em articulação com outras áreas do conhecimento.

A infra-estrutura integra um conjunto de investimentos que a UEM está a realizar para reforçar a sua capacidade de investigação e inovação, juntando-se ao Centro de Dados, recentemente inaugurado, e ao Laboratório de Automação da Faculdade de Engenharia.

Segundo explicou o Reitor, estas estruturas foram concebidas para funcionar de forma complementar, criando um ecossistema tecnológico dentro da universidade.

“O Centro de Dados assegura a base tecnológica; o Laboratório de Automação favorece a concepção e o ensaio de sistemas; e a Sala do Futuro aproxima a tecnologia dos processos de ensino, aprendizagem, investigação e inovação”, afirmou.

A articulação entre as três infra-estruturas deverá estimular a colaboração entre unidades académicas, potenciar a utilização partilhada de recursos e competências e criar melhores condições para o desenvolvimento de soluções tecnológicas.

O processo enquadra-se na Estratégia de Transformação Digital da UEM, expressa no respectivo Master Plan, que prevê a modernização das infra-estruturas, sistemas, processos e competências digitais da instituição.

O Reitor sublinhou, contudo, que a transformação digital não se limita à aquisição de equipamentos, exigindo igualmente mudanças organizacionais, integração de sistemas e desenvolvimento de capacidades.

A nova sala deverá ainda servir de ponte entre a universidade e escolas secundárias parceiras nos arredores de Maputo, através de demonstrações e experiências práticas destinadas a despertar o interesse pelas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).

O projecto foi financiado pelo Ministério da Educação e Cultura, através de fundos do Banco Mundial, contando com a participação de docentes, técnicos, coordenadores, unidades da UEM e parceiros nacionais e internacionais.

Manuel Guilherme Júnior espera que as condições criadas resultem em novas pesquisas, projectos, parcerias e tecnologias desenvolvidas no país para responder aos desafios nacionais e globais.

“Que daqui surjam novas ideias, pesquisas, projectos, parcerias e tecnologias desenvolvidas em Moçambique para responder aos desafios de Moçambique e do mundo”, apelou.

(AIM)

SNN/pc

 

Fonte: aimnews

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