Maputo, 12 de Agosto (AIM) – Jovens empreendedores moçambicanos apresentaram soluções inovadoras nas áreas da cultura, transição energética e economia circular, durante a terceira edição do “Startup Day”, que reuniu 142 candidatos e distinguiu três startups com propostas para responder a desafios concretos da sociedade.
A terceira edição do “Startup Day”, Conferência de Jovens Empreendedores, colocou a inovação, a criatividade e o empreendedorismo juvenil no centro do debate sobre o futuro de Moçambique, reunindo estudantes, empreendedores, académicos e parceiros do sector privado no Campus de Maputo.
Promovida em parceria com a Associação dos Estudantes Finalistas Universitários de Moçambique (AEFUM), com financiamento da Embaixada da França em Moçambique e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a iniciativa decorreu sob o lema “Inovação Colaborativa: Conectando Ciências para Soluções Reais”.
O projecto procura aproximar o conhecimento académico dos desafios do quotidiano, incentivando os jovens a transformar ideias em negócios e soluções com potencial de impacto social e económico.
A edição recebeu 142 inscrições e, após o processo de selecção e capacitação, apurou 28 finalistas, organizados em 11 startups, nas áreas de Indústrias Culturais e Criativas, Transição Energética e Economia Circular.
A Culture Hub, a Algumassa Energia e a BlueGeo foram as vencedoras, respectivamente, apresentando propostas que combinam conhecimento, tecnologia e inovação.
O Reitor da Universidade, Augusto Jone Luís, defendeu que as instituições de ensino superior devem assumir um papel activo na formação de jovens capazes de criar soluções e responder aos desafios do desenvolvimento.
Segundo o Reitor d A politécnica, a aposta da Universidade não se limita aos graus académicos. A instituição dispõe de uma Escola de Pós-Graduação, com programas de mestrado e doutoramento, e criou também uma área dedicada a cursos de curta duração.
Luís sublinhou a necessidade de ampliar o acesso ao ensino superior num contexto em que Moçambique apresenta uma taxa de escolarização neste nível entre 7% e 8%, inferior à de muitos outros países.
Para o Reitor, iniciativas como o “Startup Day” dão aos jovens a oportunidade de acreditar nas suas capacidades, desenvolver ideias e transformá-las em soluções. A Universidade, garantiu, continuará a acolher iniciativas desta natureza através da Escola de Pós-Graduação, da incubadora e de outras estruturas.
O Embaixador da França em Moçambique, Yann Pradeau, considerou o “Startup Day” uma demonstração do dinamismo, criatividade e espírito empreendedor da juventude moçambicana.
Para o diplomata, o desenvolvimento sustentável depende da capacidade de formar, acompanhar e confiar nos jovens talentos. Nesse sentido, a França pretende contribuir para o fortalecimento do ecossistema empreendedor, aproximando universidades e sector privado.
Pradeau apelou aos participantes para que continuem a inovar e a acreditar nas suas ideias, defendendo que Moçambique precisa da energia e criatividade da sua juventude para construir as soluções do futuro.
O Director da Escola de Pós-Graduação, Pedro Baltazar, explicou que o “Startup Day” foi além da competição. Os participantes aprenderam a transformar ideias em modelos de negócio, desenvolveram competências de apresentação e prepararam-se para defender os seus projectos.
A formação incluiu igualmente ética nos negócios, considerada essencial para garantir um empreendedorismo assente na integridade e responsabilidade.
“Na Universidade Politécnica, acreditamos que a Universidade deve formar profissionais capazes de criar soluções, gerar empresas e transformar conhecimento em valor para a sociedade”, afirmou.
A Secretária Executiva da AEFUM, Darcelene Macama, destacou, por sua vez, a aposta na colaboração entre diferentes áreas do conhecimento, aproximando as ciências exactas das ciências sociais para encontrar respostas aos problemas reais da sociedade.
A Algumassa Energia, vencedora na área da Transição Energética, comercializa kits de iluminação solar para famílias rurais, sobretudo em Manica e Zambézia. Segundo o representante, Aurélio Costa, a empresa desenvolveu ainda uma tecnologia que permitirá efectuar pagamentos através de carteiras móveis e acompanhar as transacções por uma aplicação.
Para Costa, a vitória representa uma validação importante da ideia, embora considere que todas as equipas apresentaram propostas com mérito.
Na área das Indústrias Culturais e Criativas, a Culture Hub aposta no desenvolvimento de sistemas informáticos e digitais destinados à valorização da cultura moçambicana. O representante, Fromel Vasco, explicou que a equipa trabalha na solução há cerca de um ano e oito meses e pretende usar o prémio para reforçar a entrada no mercado.
Já a BlueGeo, vencedora na área da Economia Circular, é uma organização 100% moçambicana criada por jovens formados em Ciências Marinhas e Ciências Ambientais. Segundo Stélio Santiago, a startup nasceu da necessidade de combinar esses conhecimentos para desenvolver soluções sustentáveis para o País.
(AIM)
Fonte: aimnews






