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Empresários moçambicanos querem parceria com o PAM para aumentar produção alimentar e combater desnutrição

Os empresários moçambicanos pretendem colaborar com o Programa Alimentar Mundial (PAM) para aumentar a produção alimentar no país e prestar assistência a esta instituição na fortificação de alimentos, visando travar a fome e a desnutrição crónica, foi esta terça-feira anunciado.

A informação foi avançada pelo diretor executivo-adjunto da Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique, Eduardo Macuácua, no final de uma reunião com a diretora nacional do PAM, Claire Conan, para estreitar as relações de cooperação entre as duas instituições.

“Existem áreas que nós achamos importantes para a cooperação com o PAM. A primeira área, naturalmente, é a área de aumentar a produção. Como sabe, anualmente, o PAM faz o “procurement” de alimentos e também equipamentos que precisa usar nos seus programas humanitários. E nós achamos que nesta área o setor privado pode aumentar a sua capacidade produtiva e seguir as especificações exigidas para que possamos reduzir as importações”, disse o responsável.

Neste sentido, a CTA, que congrega o setor privado, adiantou que pretende aumentar a sua produção para garantir a disponibilização de alimentos usados pelo PAM nos seus programas, adiantando também que pretende colaborar no programa de fortificação alimentar para ajudar a travar a desnutrição.

“Como sabemos, o grande problema deste país não é a falta da produção, mas é a forma como nós usamos os alimentos ao nível comunitário. Então a parceria com o PAM vai permitir que a gente faça uma advocacia através de receitas nutritivas para as comunidades, porque eles têm o conhecimento, sabem como é que se deve preparar os alimentos. E nós, como setor privado, produzimos esses alimentos, então esta área também pode ser reforçada”, disse Macuácua.

O setor privado pretende ainda colaborar com o programa na suplementação de lanches escolares apoiados pelo PAM, contribuindo também com assistência técnica para a sua materialização e para a cadeia de distribuição, com o objetivo de travar a insegurança alimentar.

“Queremos sair da agenda humanitária e ir para uma agenda de resiliência no sentido de aumentar a capacidade produtiva, aumentar a nossa capacidade também de fortificar os alimentos e a distribuição ao nível nacional. E pensamos que uma parceria com o PAM é uma parceria certa no sentido de que eles têm o conhecimento, têm assistência técnica do que são as necessidades nutritivas que nós precisamos no país para combater o problema da desnutrição”, explicou.

Já a responsável do PAM para a área de emergência, Edna Possolo, disse, no final do encontro com a CTA, que aquele organismo internacional quer agora avançar na criação de resiliência alimentar face aos choques climáticos, indicando que, apesar da redução do financiamento, continua focado no apoio às populações de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, afetadas pelo terrorismo.

Para o efeito, o PAM passou a identificar as famílias mais vulneráveis naquela região para continuar a prestar assistência, face à redução dos financiamentos.

“O outro foco do PAM nos próximos anos em Moçambique é a criação da capacidade local, não só fortalecendo as instituições governamentais a todos os níveis, mas também criando capacidades locais, da comunidade, dos atores que atuam a nível distrital e comunitário e aqui inclui também o setor privado. E garantir a criação da resiliência”, disse Edna Possolo.

 

Fonte: Observador

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