A declaração foi feita durante um encontro com leitores da obra “Do Cativeiro à Presidência”, de sua autoria, em Chimoio. Na ocasião, Chapo partilhou episódios da sua infância e juventude, incluindo o período em que esteve em cativeiro com a sua família, durante a Luta Armada de Libertação Nacional.
“Nós fomos, portanto, raptados em 1973, e só fugimos para Dondo em 1977. Portanto, foram quatro anos no cativeiro”, recordou Daniel Chapo.
Segundo Chapo, a experiência pessoal contribuiu para a sua determinação em combater este fenómeno no País. Chapo afirmou que não gostaria que outras pessoas passassem pela mesma situação que marcou a sua vida.
“Muita gente também pergunta como é que em pouco tempo estão a conseguir combater os raptos. É outra coisa que eu já vivi. Então, não queria ver ninguém na vida viver a mesma situação”, afirmou Daniel Chapo.
Por isso, o Chefe de Estado diz que quando imagina situação idêntica numa outra pessoa, fica “muito nervoso”, daí que chegou à conclusão de que “é um mal que nem devia existir: um ser humano raptar outro ser humano”.
O Chefe do Estado falou igualmente sobre as experiências de fome vividas durante a sua infância e sobre a forma como essas memórias contribuem para a sua visão sobre a necessidade de combater a insegurança alimentar no País.
Chapo recordou particularmente um episódio envolvendo a sua mãe, que, segundo explicou, chegou a estar em risco de vida, devido à falta de alimentos durante um período em que a família se encontrava em fuga.
“O livro descreve episódios tristes, como o facto de, uma vez, ter assistido à minha mãe quase a morrer, e só agora é que eu me lembrei que ela estava quase a morrer por causa da fome. Foram sensivelmente quatro a cinco dias que estávamos a andar de um lado para o outro. Não estávamos a comer, e o pouco que tinha, ela preferia dar aos filhos”, relatou Daniel Chapo.
O Presidente da República afirmou ainda que estas experiências ajudam a explicar a importância que atribui à procura de soluções para os problemas que afectam a população moçambicana, incluindo a fome e a pobreza.
Durante o encontro, Chapo dirigiu uma mensagem aos jovens, exortando-os a não desistirem perante as dificuldades. Para o Chefe de Estado, as circunstâncias do nascimento não devem determinar o destino de uma pessoa, sendo a determinação e perseverança fundamentais para alcançar os objectivos.
A sessão literária serviu, assim, não apenas para discutir a obra de Daniel Chapo, mas também para revisitar experiências pessoais do Presidente e relacioná-las com os desafios que actualmente integram a agenda do Governo.
Fonte: O País







