InícioInternacionalChina sanciona ministro da Defesa filipino por “prejudicar interesses chineses”

China sanciona ministro da Defesa filipino por “prejudicar interesses chineses”

Resumo

A China impôs sanções ao secretário da Defesa das Filipinas, Gilberto Teodoro Jr., e sua família, proibindo a sua entrada na China e vetando qualquer cooperação com entidades ou cidadãos chineses, devido a comentários considerados prejudiciais aos interesses chineses. Teodoro, crítico da política chinesa no mar do Sul da China e em relação a Taiwan, foi nomeado ministro da Defesa em 2023 e tem fortalecido a cooperação militar com os EUA e outros países para enfrentar a assertividade chinesa. As Filipinas consideraram as sanções um ato hostil que complica as relações bilaterais, enquanto Pequim justificou a medida como necessária para proteger os seus interesses. Esta escalada segue a sanção a um senador filipino em 2025, num contexto de tensões crescentes nas águas disputadas do mar do Sul da China desde a chegada de Ferdinand Marcos Jr. ao poder em 2022.

A China anunciou sanções contra o secretário da Defesa das Filipinas, Gilberto Teodoro Jr., e familiares próximos, acusando-o de prejudicar os interesses chineses, numa medida que Manila classificou como um ato “hostil” às relações bilaterais.

Em comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês anunciou, na quinta-feira, a proibição de entrada de Teodoro, da mulher e dos filhos na China continental, Hong Kong e Macau.

As autoridades chinesas vetaram igualmente quaisquer transações, cooperação ou outras atividades entre o responsável filipino e entidades ou cidadãos chineses.

Pequim justificou a decisão com os “comentários irresponsáveis” de Teodoro sobre a China, que, segundo a diplomacia chinesa, prejudicaram os interesses do país asiático. O ministério dos Negócios Estrangeiros não especificou quais as declarações em causa.

A diplomacia de Pequim afirmou que as medidas visam “salvaguardar a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento” da China.

O ministério dos Negócios Estrangeiros das Filipinas reagiu hoje, afirmando que as sanções constituem um “ato hostil” que “complica ainda mais as relações bilaterais”.

“Essas medidas não contribuem para criar confiança mútua, gerir divergências de forma responsável ou criar as condições necessárias para um envolvimento construtivo entre os nossos dois países”, declarou a diplomacia filipina.

Teodoro, nomeado ministro da Defesa pelo Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., em junho de 2023, é um dos mais destacados críticos da política chinesa no mar do Sul da China e em relação a Taiwan.

Em comunicado, o governante prometeu continuar a desempenhar as suas funções e afirmou que as sanções demonstram “o que [os chineses] fazem àqueles que dizem a verdade sobre os seus enganos”.

No ano passado, Teodoro classificou as reivindicações territoriais de Pequim no mar do Sul da China como “a maior ficção e mentira” e apontou diretamente responsabilidades ao Presidente chinês, Xi Jinping, pela política que considera agressiva e ilegal da China na região.

O responsável tem liderado os esforços de Manila para aprofundar a cooperação militar com os Estados Unidos, aliado histórico das Filipinas, incluindo através da expansão dos exercícios militares conjuntos e de patrulhas navais no mar do Sul da China.

Teodoro promoveu também acordos de cooperação militar com países como Japão, França, Canadá e Nova Zelândia, apresentados pelo Governo filipino como instrumentos para reforçar a capacidade de dissuasão perante a crescente assertividade chinesa.

A decisão representa uma escalada relativamente a julho de 2025, quando Pequim sancionou o então senador filipino Francis Tolentino, um dos políticos mais críticos da China nas Filipinas.

Tolentino promoveu legislação que reafirmou as reivindicações territoriais filipinas e os direitos de exploração de recursos no mar do Sul da China, uma via marítima estratégica por onde passa cerca de 30% do comércio marítimo mundial e que alberga importantes recursos pesqueiros e potenciais reservas de petróleo e gás.

Desde a chegada ao poder de Ferdinand Marcos Jr., em 2022, as Filipinas reforçaram a cooperação em matéria de defesa com Washington, numa mudança que coincidiu com o aumento dos incidentes entre embarcações filipinas e forças chinesas nas águas disputadas.

 

Fonte: TVI


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