Resumo
O conflito entre Israel e o Hezbollah deslocou cerca de 20% da população do Líbano, incluindo 140 mil pessoas idosas em condições precárias, sem resposta humanitária adequada, revela um relatório da Escwa. A crise ameaça a saúde, dignidade e autonomia dos idosos, com hospitais fechados e acesso limitado a cuidados de saúde. A guerra causa trauma e ansiedade, deteriorando a saúde mental dos idosos. Estes são duplamente marginalizados, perdendo casas, rendimentos e serviços essenciais. A ajuda alimentar é insuficiente e padronizada, ignorando as necessidades específicas dos idosos. O relatório destaca o papel vital dos idosos na coesão social e apela a uma resposta humanitária mais inclusiva, com acesso a cuidados de saúde, alojamento adequado e reforço dos programas de proteção social e assistência alimentar.
Isto é o que revela um novo relatório da Comissão Económica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental, Escwa, intitulado “O conflito e as suas ondas de choque: pessoas idosas em contexto de guerra e deslocamento no Líbano”.
Guerra ameaça saúde, dignidade e autonomia
O documento alerta que a “crise em agravamento” no Líbano ameaça a saúde, a dignidade e a autonomia das pessoas idosas. Face à continuidade das hostilidades, este grupo etário é forçado a permanecer em zonas inseguras ou a deslocar-se para ambientes inadequados para o seu acolhimento.
Seis hospitais foram fechados após ataques a 23 centros de saúde, causando morte e ferimento de centenas de profissionais do setor.
Os ataques restringem o acesso das pessoas idosas aos cuidados de saúde, especialmente aquelas com doenças crónicas. Os custos de transporte elevados, a mobilidade reduzida e a falta de informação privam milhares de idosos do acesso a tratamentos clínicos ou hospitalares.
Destruição em uma área residencial de Tiro, sul do Líbano, em 31 de maio de 2026, após um ataque aéreo israelense
Trauma e ansiedade contínua
A responsável pelos assuntos da população da Escwa, Sara Salman, alertou que as condições de guerra, a ansiedade contínua e o trauma acumulado estão a provocar uma deterioração da saúde mental e psicológica das pessoas idosas, com aumento dos sintomas de depressão e isolamento.
Ela afirma que o que está a ser visto é uma dupla marginalização das pessoas idosas em contextos de crise. Os idosos não só estão a perder as suas casas ou fontes de rendimento, como também estão a ser privados de serviços essenciais e do reconhecimento do seu papel vital nas comunidades.
O relatório refere que a sobreposição de crises conduziu a uma acentuada deterioração das condições económicas das pessoas idosas. A publicação sublinha ainda o comprometimento da autonomia e dignidade pela deslocação e fixação em ambientes inadequados.
Idosos com papel comunitário essencial
O documento nota ainda que a ajuda alimentar é inadequada, numa altura em que os alimentos são frequentemente distribuídos segundo modelos padronizados, que não têm em conta os requisitos de saúde e as necessidades destes idosos.
Salman sublinhou a importância de reconhecer as contribuições frequentemente ignoradas das pessoas idosas nas respostas humanitárias, na medida em que estas desempenham um “papel central no apoio às suas famílias e comunidades”.
“São um pilar de resiliência, e grande parte do mérito pela preservação da coesão social durante as crises e na recuperação pós-crise deve-se a elas”, enfatiza a responsável.
Neste sentido, o relatório apela a uma resposta humanitária mais inclusiva, garantindo o acesso a cuidados de saúde, condições de acolhimento e alojamento adequadas, bem como o reforço de programas de proteção social e da assistência alimentar.
Fonte: ONU






