Já te aconteceu andar na rua, ver um carro estranho, com um símbolo que nunca viste, e pensares… O que é isto? É outro Chinês? Pois bem, isto já me aconteceu, e eu estou dentro do meio. De facto, eu sou convidado para a grande maioria dos eventos auto em Portugal, por isso, tem de ser incrível também ficar por vezes “à toa”, sem saber que raio de carro está a passar por mim nas estradas portuguesas.
Mas, no fim do dia, é normal.
A aposta Chinesa na Europa, e neste caso mais concreto em Portugal, é sem qualquer tipo de peso ou medida. Parece que aparece tudo ao mesmo tempo, sem qualquer critério.
Aliás, até começa a ficar cada vez mais evidente a partilha tecnológica das fabricantes de carros chineses. Porque, vários carros começam a ser demasiado parecidos uns aos outros. E eu já passei essa mensagem a alguns representantes de marcas.
Os carros até podem ser decentes (muitos não são), mas esta entrada que mais parece uma invasão, também pode ser um ponto negativo para a gigantesca aposta Chinesa em Portugal. Os consumidores já não sabem o que é que está a acontecer. E isso pode ser um ponto positivo para as marcas mais tradicionais, que têm aqui uma porta aberta para surpreender e agarrar os clientes que olham cada vez mais para as marcas Chinesas, que claro está, aposta no equipamento e no preço.

Curiosamente, a realidade é que estamos a assistir a um fenómeno muito semelhante ao que aconteceu nos smartphones há uma década. Dezenas de submarcas, nomes impronunciáveis e siglas genéricas chegam ao mercado com o mesmo argumento de sempre: “olhem para nós, temos ecrãs gigantes, luzes LED a piscar e custamos menos 10.000€ do que a concorrência europeia”.
Mas se rasgares um bocadinho a tinta, percebes que o carro ‘A’ da marca X partilha o chassis, os motores e o software bugado com o carro ‘B’ da marca Y.
Esta saturação em massa cria um problema sério de confiança.
O comprador português gosta de pechinchas, é verdade. Mas também quer saber se a marca que acabou de comprar ainda vai existir no nosso país daqui a três ou quatro anos quando precisar de uma peça de substituição ou de acionar a garantia. Quando surgem três marcas novas por mês, a sensação de volatilidade é enorme.

É precisamente no meio desta confusão que os construtores tradicionais, europeus, japoneses e sul-coreanos, podem ir buscar oxigénio. Por muito que tenham adormecido na forma durante a transição para a mobilidade elétrica, marcas como a Volkswagen, Renault, Toyota ou Hyundai continuam a ter uma coisa que a China não consegue comprar de um dia para o outro: notoriedade, rede de concessionários consolidada e valor de revenda no mercado em segunda mão.

Se as marcas continentais se deixarem de preciosismos, baixarem os preços abusivos que andaram a praticar nos últimos anos e entregarem propostas honestas, a bolha dos chineses pode começar a perder gás mais depressa do que muitos analistas previam.
Fonte: Zero Zero






