Já ouviste falar da Raya? Testámos a aplicação de encontros “exclusiva” para elites, e de facto vais encontrar pessoal “famoso”. Mas, podes não ser aceite, tens de deixar dinheiro para ter acesso, e podes ter alguma ou até mesmo muita dificuldade em conhecer alguém.
Ora bem, durante anos, a Raya vendeu-se como o Santo Graal das aplicações de encontros. Um clube privado digital, ultra-exclusivo e acessível apenas por convite ou aprovação minuciosa de um comité misterioso.
Dito tudo isto, eu decidi tentar entrar, um bocadinho na brincadeira, vestindo a pele de “jornalista/blogger”, que me permite ter acesso a muita coisa que de facto não está ao alcance do mais comum dos mortais. E… Fui aceite! (Será assim tão exclusiva?)
Ora bem, lançada originalmente para celebridades de Hollywood e atletas de topo, a plataforma acabou por abrir ligeiramente as portas a meros mortais. Mas a pergunta que se impõe é simples: vale a pena pagar cerca de 20€ por mês para entrar neste suposto paraíso VIP, ou é apenas mais uma ilusão alimentada pelo ego do mundo tech?
Para quem tem curiosidade em saber quem por lá anda… Sim! É verdade que cruzas com atores conhecidos, desportistas internacionais e artistas de renome (embora muitos prefiram manter perfis discretos, focados em arte ou animais de estimação). No entanto, a verdadeira maioria da população da app consiste numa manada interminável de “tech bros”, fundadores de startups e investidores de capital de risco desesperados por validação social.
A quantidade de pessoas com o nome de uma empresa qualquer com IA no nome… É um quase absurdo.
Mas, depois da exclusividade, e de tudo o resto, a app não é mais que um Tinder, Hinge ou Bumble. Tens fotos, uma pequena bio, e aprovas o perfil, e se houver match, podes falar. É mesmo só isto.
Diferente de quase todas as apps do mercado, a Raya não foi desenhada a pensar na geografia local.
Como foi pensada para figuras públicas que apanham aviões como quem apanha o metro, a aplicação atira-te para a frente perfis de Toronto, Londres, Nova Iorque ou Tóquio na mesma sessão. Para o utilizador comum que procura apenas marcar um café ao fim do dia, este formato é simplesmente absurdo e pouco prático.
Além disso, o chat é um deserto. Como não há biografias nem interesses detalhados, iniciar uma conversa inteligente torna-se um suplício. Pior! Há uma percentagem enorme de utilizadores que não está lá para encontrar ninguém, mas sim a usar a “exclusividade” da app para fazer contactos de negócios, angariar modelos ou simplesmente tentar caçar seguidores para o Instagram.
Cobrar mais de 20 euros por mês por uma rede onde a diversidade é fraca, os perfis parecem clones uns dos outros e a funcionalidade de filtragem por cidade nem sequer existe de forma nativa é um péssimo negócio.
No final do dia, a Raya vive exclusivamente da ilusão de pertença a um clube privado. Mas, para o mais comum dos mortais, isso vale zero.
Fonte: Zero Zero



