O selecionador de França, Didier Deschamps, assumiu esta sexta-feira que vai sentir saudades da equipa nacional, que deixará de treinar ao fim de 14 anos, tendo o último jogo este sábado, frente à Inglaterra, na definição dos terceiro e quarto classificados do Mundial 2026.
«Sei muito bem que é o fim. Sem querer fazer ninguém chorar, sei que vou ter saudades da seleção. Tive o privilégio de viver momentos mágicos e outros mais difíceis durante 25 anos [ndr: 14 como selecionador e 11 como jogador]. Representar a França foi o melhor que me aconteceu e isso deixa uma marca ainda maior, pois ficam lembranças inesquecíveis, mas sou uma pessoa positiva por natureza e o importante é o que se segue», disse Deschamps, em conferência de imprensa.
Recordando ainda o duelo das meias-finais do Mundial, que França perdeu por 2-0 ante Espanha, Deschamps rejeitou que o árbitro tenha ditado o desaire dos gauleses, apesar das críticas no fim do jogo à atuação do salvadorenho Iván Barton. E disse que houve mérito de Espanha e também «culpa» própria. «A culpa foi nossa, mas também da Espanha, que elevou o nível técnico. A desilusão é proporcional às ambições que tínhamos, mas há que aceitar. Eles foram melhores e merecem estar na final, tal como a Argentina», referiu.
Sobre o jogo com a Inglaterra, Deschamps admitiu mudanças na equipa inicial e confirmou que Kylian Mbappé está «disponível» para jogo. Mbappé luta pelo troféu de melhor marcador do Mundial 2026, levando os mesmos oito golos de Lionel Messi, mas menos uma assistência do que o argentino, recordista de golos na história da prova, com 21, para 20 do francês.
«Mbappé não precisa de fator motivacional. Parece-me legítimo ter uma meta individual. Este será o último jogo, mas não é apenas mais um jogo. Não vai mudar a vida dos jogadores, mas é melhor terminar em terceiro do que em quarto e faremos tudo o que pudermos para alcançar esse objetivo, incluindo Kylian como capitão. Temos o dever de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que as coisas correm bem. Há responsabilidades quando se veste esta camisola», afirmou, ainda.
Deschamps, de 57 anos, rendeu Laurent Blanc em 2012 e levou a França à conquista do título mundial pela segunda vez em 2018 , com uma vitória sobre a Croácia (4-2), na Rússia, reeditando o êxito atingido como capitão de equipa em 1998, ante o Brasil (3-0), em Saint-Denis, nos arredores de Paris.
Ainda com Deschamps ao comando, França venceu a Liga das Nações de 2021 frente à Espanha (2-1), em Itália, mas perdeu as finais do Euro 2016, como anfitriões e diante de Portugal (1-0, após prolongamento), e do Mundial 2022, no desempate por penáltis com a Argentina (4-2, depois da igualdade 3-3 no fim dos 120 minutos), no Qatar.
França e Inglaterra defrontam-se no sábado, às 17 horas locais (22 horas em Lisboa), no Estádio Hard Rock, em Miami Gardens, nos Estados Unidos. França joga pelo último lugar do pódio pela quarta vez, depois das vitórias em 1958 e 1986 e a derrota em 1982. Inglaterra tem duas derrotas em duas ocasiões, em 1990 e 2018.
Fonte: CNN Portugal





