Resumo
O dólar norte-americano manteve-se estável devido à incerteza nas negociações entre os EUA e o Irão, com receios de colapso do cessar-fogo e impacto nos preços do petróleo. O Brent estava acima dos 104 dólares por barril e o WTI perto dos 98 dólares. A Reserva Federal pode manter as taxas de juro elevadas para conter a inflação, com expectativas de cortes de juros nos EUA a diminuir. A atenção volta-se para os dados da inflação nos EUA, prevendo-se um aumento de 0,6% nos preços no consumidor. O risco inflacionista aumenta com os custos energéticos a afetar outros setores da economia. Uma surpresa inflacionista positiva pode fortalecer o dólar. Apesar da incerteza, os ganhos do dólar são moderados, indicando que os investidores não veem a situação como um choque financeiro sistémico.
A estabilidade da moeda norte-americana surge numa altura em que investidores acompanham com crescente cautela a evolução das negociações entre os Estados Unidos e o Irão, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter admitido que o cessar-fogo está “em suporte de vida”.
Segundo a Reuters, os mercados receiam agora que o cessar-fogo em vigor desde 7 de Abril possa colapsar, reacendendo hostilidades que já provocaram milhares de mortos e perturbaram fluxos energéticos estratégicos.
O impacto mais imediato continua a reflectir-se no mercado petrolífero. Com o Estreito de Ormuz ainda parcialmente condicionado, o Brent mantinha-se acima dos 104 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) permanecia próximo dos 98 dólares.
O actual comportamento dos preços energéticos está a alimentar receios de que os bancos centrais, particularmente a Reserva Federal dos Estados Unidos, possam ser forçados a manter as taxas de juro elevadas durante mais tempo para conter pressões inflacionistas adicionais.
O mercado passou, assim, a rever significativamente as expectativas de cortes de juros nos EUA. Antes da eclosão do conflito envolvendo o Irão, os investidores antecipavam pelo menos dois cortes das taxas directoras ainda este ano. Contudo, o agravamento do cenário geopolítico levou os operadores a praticamente retirarem essas expectativas das projecções actuais.
A atenção dos mercados volta-se agora para os dados da inflação norte-americana, cuja divulgação poderá fornecer indicações relevantes sobre os próximos passos da Reserva Federal.
De acordo com uma sondagem da Reuters junto de economistas, espera-se que os preços no consumidor nos Estados Unidos tenham aumentado 0,6% no último mês, depois de uma subida de 0,9% em Março.
Analistas alertam que o risco inflacionista poderá ser ainda mais elevado caso os custos energéticos comecem a contaminar outros sectores da economia, incluindo transportes aéreos, alimentação e logística.
Sarah Hammoud, estrategista cambial do Commonwealth Bank of Australia, advertiu que “o risco é que a inflação subjacente seja mais forte do que o consenso do mercado devido ao efeito de propagação dos preços da energia sobre outros preços”. Segundo a especialista, uma surpresa inflacionista positiva poderá impulsionar ainda mais as taxas de juro e fortalecer o dólar.
Apesar do ambiente de incerteza, os ganhos do dólar permanecem relativamente contidos, sinalizando que os investidores ainda não interpretam o actual momento como um choque financeiro sistémico de grande magnitude.
Christopher Wong, estrategista cambial do OCBC, considerou que a rejeição, por parte de Donald Trump, da proposta iraniana ajudou a sustentar o dólar, embora os mercados permaneçam cautelosos. O analista acrescentou que uma ruptura formal das negociações diplomáticas ou uma escalada militar mais intensa poderiam provocar reacções muito mais severas nos mercados financeiros globais.
No mercado cambial, o euro negociava próximo de 1,1775 dólares, enquanto a libra esterlina permanecia em torno de 1,3602 dólares. Já o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana face a seis moedas de referência — situava-se nos 97,98 pontos.
Além da dimensão geopolítica, os investidores acompanham igualmente a deslocação de Donald Trump à China, onde deverá reunir-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, num encontro observado como potencial indicador da trajectória futura das relações económicas entre as duas maiores economias do mundo.
O actual contexto evidencia a crescente interdependência entre geopolítica, energia, inflação e política monetária global, num momento em que os mercados permanecem particularmente sensíveis a qualquer sinal de agravamento militar ou de ruptura diplomática.
Fonte: O Económico






