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Petróleo Sobe Com Temores Sobre Irão e Estreito de Ormuz; Aramco Adverte Para Perda de 100 Milhões de Barris Por Semana

Resumo

Os preços do petróleo subiram devido à instabilidade no Médio Oriente e ao receio de perturbações no abastecimento global. O barril de Brent valorizou 0,8%, atingindo os 105,07 dólares, enquanto o WTI subiu 1%, para 99,06 dólares por barril. As negociações entre EUA, Israel e Irão continuam delicadas, com Donald Trump a admitir divergências significativas. O Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, é crucial e está no centro das tensões. Analistas alertam que o optimismo por um acordo rápido está a desvanecer, com possíveis aumentos nos preços do petróleo se não houver entendimento até ao final de Maio. A produção da OPEP já diminuiu devido às perturbações, com a Saudi Aramco a prever perdas significativas se Ormuz continuar fechado.

Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir nesta terça-feira, num contexto marcado pela crescente inquietação dos mercados relativamente à estabilidade do Médio Oriente e ao risco de perturbações prolongadas no abastecimento global de crude. A valorização surge numa altura em que as negociações visando pôr termo ao conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão continuam frágeis e sem sinais concretos de entendimento estrutural.

Segundo a agência Reuters, o barril de Brent avançou 0,8%, negociando nos 105,07 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) norte-americano subiu 1%, para 99,06 dólares por barril. Os dois referenciais já haviam registado ganhos próximos de 2,8% na sessão anterior.

A actual dinâmica do mercado reflecte sobretudo o receio de que as tensões envolvendo o Irão possam comprometer ainda mais o funcionamento do Estreito de Ormuz, considerado uma das artérias energéticas mais sensíveis do planeta. Através desta passagem marítima circula aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, reconheceu na segunda-feira que o cessar-fogo com o Irão está “em suporte de vida”, admitindo a existência de divergências significativas entre as partes. Entre os principais pontos de discórdia estão a cessação das hostilidades em todas as frentes, o levantamento do bloqueio naval norte-americano, a retoma das exportações petrolíferas iranianas e as exigências de compensação pelos danos da guerra.

Teerão, por seu turno, reiterou a sua soberania sobre o Estreito de Ormuz, reforçando um discurso que continua a alimentar nervosismo nos mercados energéticos globais.

A leitura dominante entre analistas internacionais é que o optimismo inicial relativamente a um acordo rápido está a dissipar-se. Citado pela Reuters, Suvro Sarkar, responsável pelo sector energético do DBS Bank, afirmou que “o optimismo relativamente a um acordo iminente parece estar novamente a desaparecer”, acrescentando que, caso não haja entendimento até ao final de Maio, “os riscos de subida dos preços do petróleo estarão claramente sobre a mesa”.

O endurecimento das preocupações geopolíticas surge numa altura em que já começam a sentir-se impactos concretos sobre os fluxos globais de exportação. Um inquérito da Reuters revelou que a produção petrolífera da OPEP caiu em Abril para o nível mais baixo em mais de duas décadas, reflexo das perturbações ligadas ao quase encerramento do Estreito de Ormuz e da redução de exportações por parte de vários produtores.

Num dos alertas mais contundentes emitidos até agora, o CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, advertiu que o mercado petrolífero poderá perder cerca de 100 milhões de barris por semana caso as disrupções em Ormuz persistam ao ritmo actual e o estreito permaneça fechado.

Segundo Amin Nasser, “esperamos que o racionamento da procura continue enquanto o abastecimento permanecer perturbado através do Estreito de Ormuz”. O responsável acrescentou ainda que, caso o comércio marítimo e o transporte normal sejam retomados, o mercado poderá assistir posteriormente a “um retorno muito robusto do crescimento da procura”.

As declarações do CEO da Aramco reforçam a percepção de que o actual momento ultrapassa uma simples volatilidade conjuntural dos preços e começa a assumir contornos de ameaça estrutural à estabilidade energética global. O risco de uma ruptura prolongada em Ormuz poderá provocar pressões inflacionárias significativas, deteriorar os custos de transporte e produção industrial e reacender receios de desaceleração económica em várias geografias.

Os mercados acompanham igualmente com expectativa o encontro previsto entre Donald Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, agendado para esta quarta-feira, numa altura em que Washington impôs novas sanções contra indivíduos e empresas acusadas de facilitar exportações de petróleo iraniano para a China.

Analistas consideram que um eventual avanço diplomático poderia desencadear uma correcção significativa dos preços do petróleo. Contudo, o cenário inverso — marcado por escalada militar ou renovadas ameaças ao Estreito de Ormuz — poderá empurrar rapidamente o Brent para níveis superiores a 115 dólares por barril, agravando ainda mais as tensões sobre a economia global.

Fonte: O Económico

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