Maputo, 11 Ago (AIM) – O Governo moçambicano prepara-se para abrir a estrutura accionista da Tmcel a um novo investidor, numa tentativa de recuperar a empresa de telecomunicações que demostra dificuldades operacionais há vários anos.
A decisão foi tomada esta terça-feira pelo Conselho de Ministros, que autorizou o Ministério que superintende a área da Comunicação a constituir uma equipa técnica para negociar os termos e condições da alienação das acções detidas pelo Estado na Moçambique Telecom, S.A. (Tmcel), através de negociação particular.
A medida poderá resultar na entrada de um novo accionista na empresa. O Governo ainda não definiu publicamente a percentagem de acções que será alienada, nem identificou potenciais investidores.
A Tmcel ocupa uma posição histórica no sector das telecomunicações moçambicano. A actual empresa nasceu da fusão da Telecomunicações de Moçambique (TDM) com a Moçambique Celular (Mcel), concluída em Dezembro de 2018.
A Mcel foi criada em 1997 e foi a primeira empresa a introduzir o serviço de telefonia móvel em Moçambique. Até 2003, funcionou como unidade de negócio da TDM, passando posteriormente a operar como empresa separada. A fusão com a TDM procurava responder às dificuldades financeiras e operacionais que afectavam as duas empresas estatais.
A aposta na fusão, contudo, não conseguiu resolver os principais problemas. Nos anos seguintes, a Tmcel continuou a enfrentar elevados níveis de endividamento, resultados negativos e dificuldades de tesouraria.
Os resultados financeiros mais recentes mostram que a recuperação continua longe de estar consolidada.
Apesar das dificuldades, a empresa continua a desempenhar um papel relevante no sector nacional das telecomunicações, mantendo infra-estruturas e redes de telecomunicações, incluindo fibra óptica e serviços de comunicação fixa e móvel.
A resolução aprovada pelo Governo significa que, a primeira fase será a constituição de uma equipa técnica que vai negociar os termos da operação.
Essa equipa deverá definir, entre outros aspectos, a participação a alienar, as condições da transacção, o perfil do investidor e as responsabilidades de cada parte.
A negociação particular permite ao Estado discutir directamente com potenciais investidores os termos da operação, em vez de recorrer necessariamente a um concurso público.
O objectivo central é encontrar um parceiro que possa contribuir para a recuperação financeira e operacional da Tmcel.
A entrada de um novo accionista poderá significar injecção de capital, modernização tecnológica, melhoria da gestão e reforço da capacidade comercial da empresa. Ao mesmo tempo, poderá representar uma redução da participação directa do Estado numa empresa que, durante anos, dependeu de medidas de reestruturação para continuar a operar.
(AIM)
Paulino Checo/
Fonte: aimnews






