O selecionador de Portugal, Jorge Jesus, garantiu, em entrevista transmitida pelo Canal 11 esta segunda-feira, que não quer ter uma referência da história da Seleção na sua equipa técnica só porque sim, mas ter esse tipo de pessoa «para fazer parte do trabalho», tal como já teve em clubes que treinou. Abordou ainda o nervosismo do desafio na sua carreira, o que Portugal fez no Mundial e o futebol praticado:
Se gostava de ter uma referência da Seleção na sua equipa técnica, para o balneário:
«Em todas as equipas onde trabalhei, mesmo no estrangeiro, quis sempre que um elemento da minha equipa técnica fosse um antigo jogador. Caso do Luisão no Benfica, no Al Hilal também fui buscar, ou no Fenerbahçe. Faço isso em todas as equipas onde estou. E na Seleção a ideia é essa, encontrar alguém que tenha sido jogador da Seleção, que possa fazer parte da minha equipa técnica. Dentro das ideias que vai, entre aspas, aprender, porque as ideias são minhas, e que depois seja importante. Não vou buscar um elemento destes para estar ao pé de mim e ir meter os pinos e marcar o campo. Nada disso. É para fazer parte do trabalho.»
Se ainda fica nervoso com um desafio destes, agora que tem 71 anos:
«Fico nervoso com os jogos, o nervoso miudinho. Mas isso faz parte da minha formação como jogador. Durante os jogos estou mais ou menos tenso, também conforme aquilo que vou vendo a equipa a jogar e se é dentro daquilo que treina. E se vejo que não está a fazer o que treinamos, fico mais interventivo. No dia em que não ficar nervoso, há alguma coisa que está mal. Será sinal de que a minha paixão e amor ao jogo não estão iguais e aí de certeza que já não serei treinador.»
O que é que precisava Portugal no Mundial 2026 para ser competitivo:
«Eu direi qualquer equipa. É um princípio que eu defendo. A primeira qualidade de uma equipa é saber defender bem, não é saber atacar. França contra Espanha: Espanha ganhou porquê? Porque soube defender melhor. Soube parar a qualidade dos jogadores franceses. É o primeiro princípio e passo muito isto aos meus jogadores quando estou nas minhas equipas. Para conquistarmos títulos, temos de saber defender bem. Se não defendermos bem, vamos ganhando jogos, mas nunca ganhamos títulos.»
O que esperar da Seleção com Jorge Jesus:
«Tenho uma ideia diferente. Não há sistemas melhores ou piores. Não há nenhum treinador que diga: “este meu sistema é o melhor”. Mas o futebol, para mim, é criatividade, não é uma ciência exata. Tem muito a ver com a criatividade do jogador e do treinador. E o que passo aos jogadores é a ideia defensiva, como defender, e como atacar. São dois princípios que parecem fáceis, mas depois na prática, saber ensinar... Não ensino os jogadores a jogar, mas ensino os jogadores a ter as ideias da equipa na qual trabalho.»
Se a equipa vai jogar o dobro por aquilo que vai trazer:
«É a lógica. Se a Seleção não jogar mais do que jogou no Mundial, não vou fazer melhor. Temos de jogar mais. Se não jogarmos mais, continuamos todos aqui a alimentar um sonho. Não foi só neste Mundial. Temos grandes jogadores, mas não ganhamos muita coisa. Já fomos campeões europeus, já é ganhar. Já ganhámos a Liga das Nações, que é uma competição que todos achamos não ser a mais importante, mas é a mais difícil, porque normalmente é onde chegam sempre as melhores equipas europeias.»
Fonte: CNN Portugal






