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Moçambique Enfrenta Crescimento Frágil E Desconectado Da Redução Da Pobreza, Alerta Banco Mundial

Resumo

O Banco Mundial alerta que a economia de Moçambique está em recuperação, mas com bases frágeis e exposta a riscos. O relatório destaca a vulnerabilidade do crescimento a fatores externos e internos, apontando a necessidade de uma mudança estrutural na política fiscal para garantir a sustentabilidade. A persistência da pobreza, especialmente nas zonas rurais, revela uma desconexão entre o crescimento económico e a redução da pobreza, com o setor agrícola a ser identificado como crucial para dinamizar a economia rural. A estagnação neste setor compromete os esforços de redução da pobreza, evidenciando uma fragilidade estrutural que impede a inclusão económica efetiva e a melhoria das condições de vida da população moçambicana.

O mais recente relatório do Banco Mundial traça um diagnóstico claro e inquietante sobre a economia moçambicana: o país encontra-se numa trajectória de recuperação económica, mas assente em bases frágeis e exposto a riscos significativos.“O outlook is subject to considerable uncertainty, with risks tilted to the downside”, refere o documento, sublinhando que a trajectória de crescimento permanece vulnerável a múltiplos factores, desde choques externos até tensões internas.A recuperação observada desde 2022 é descrita como “fragile”, evidenciando que, apesar de sinais positivos, não existe ainda um ciclo de crescimento robusto e sustentado.Neste contexto, a economia moçambicana posiciona-se numa zona de risco: cresce, mas sem resiliência suficiente para absorver choques.Um dos pontos mais críticos do relatório reside na avaliação da capacidade do Estado. O Banco Mundial é peremptório ao afirmar que “the fiscal space to respond to shocks is severely limited”, evidenciando uma restrição estrutural à actuação pública.Esta limitação compromete não apenas a resposta a crises, mas também a capacidade de investimento em sectores essenciais como saúde, educação e infraestruturas.O relatório vai mais longe ao defender que “a fundamental shift in fiscal policy is necessary”, apontando para a necessidade de uma reconfiguração profunda da política fiscal, com enfoque na sustentabilidade da dívida, mobilização de receitas e controlo da despesa.Mais do que um ajustamento técnico, trata-se de uma mudança estrutural no papel e funcionamento do Estado.Talvez o diagnóstico mais crítico do relatório seja a constatação de que o crescimento económico não está a traduzir-se em melhoria das condições de vida da população.“Poverty remains very high in some regions and among certain groups”, refere o documento, evidenciando a persistência de níveis elevados de pobreza.Mais preocupante ainda, o relatório identifica uma desconexão estrutural entre crescimento e redução da pobreza, ao afirmar que existe “a weak correlation between overall economic growth and regional poverty reduction”.Ou seja, o país cresce — mas esse crescimento não está a ser distribuído nem a gerar inclusão económica efectiva.No centro deste problema está o sector agrícola, que continua a desempenhar um papel determinante na dinâmica social e económica do país.“The stagnant performance of agriculture is keeping the rural poor in a poverty trap”, alerta o Banco Mundial, apontando para a incapacidade do sector em gerar rendimentos e dinamizar a economia rural.A análise revela que, apesar do crescimento registado nos sectores da indústria e serviços, a estagnação agrícola comprometeu os ganhos potenciais em termos de redução da pobreza.Este dado revela uma fragilidade estrutural: sem transformação agrícola, o crescimento económico permanece incompleto e socialmente ineficaz.O relatório destaca igualmente a dimensão territorial das desigualdades, sublinhando que a pobreza e o crescimento não se distribuem de forma homogénea pelo país.Determinadas regiões apresentam crescimento económico, mas sem impacto significativo na redução da pobreza, evidenciando falhas na articulação entre sectores produtivos e inclusão social.Este padrão reforça a necessidade de políticas públicas diferenciadas e territorialmente ajustadas, capazes de responder às especificidades de cada região.O alerta final do Banco Mundial é claro e inequívoco: o tempo para actuar está a esgotar-se.“The window for action is narrowing rapidly”, refere o relatório, acrescentando que atrasos na implementação de reformas terão custos crescentes para o Estado, o sector privado e a população.Este posicionamento transforma o diagnóstico económico num imperativo político: a inação deixou de ser uma opção.Apesar dos riscos, o relatório identifica factores que podem impulsionar o crescimento, nomeadamente a retoma dos grandes projectos de gás natural e o potencial aumento do investimento directo estrangeiro.Contudo, a mensagem central permanece: o desafio de Moçambique não é apenas crescer, mas transformar estruturalmente a sua economia.Sem reformas fiscais consistentes, aumento da produtividade agrícola e redução das desigualdades territoriais, o país corre o risco de permanecer num ciclo de crescimento limitado, vulnerável e socialmente excludente.

Fonte: O Económico

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